Acidentes em Silos no Brasil: 394 Mortes em 5 Anos

Acidente em silo matou pelo menos 394 trabalhadores no Brasil de 2021 a 2025, cerca de 1,5 por semana, segundo levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho. Soterramento (39,4%) e queda (18,7%) estão entre as principais causas. Segundo os auditores, esses acidentes acontecem quando o trabalhador entra para limpar o silo ou quebrar grão empedrado.

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Quantas pessoas morrem em acidentes em silos no Brasil?
Pelo menos 394 pessoas morreram em áreas de silo de 2021 a 2025, em 344 acidentes. A média passa de 6 mortes por mês, ou 1,5 por semana, segundo o levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho divulgado pelo Brasil de Fato em 17/03/2026.
O número vem das CATs, as Comunicações de Acidente de Trabalho que a empresa deve emitir. Por isso, os próprios auditores admitem subnotificação: acidente sem CAT fica fora da conta. É um levantamento da fiscalização do trabalho, não uma estatística oficial fechada.

O volume de grão armazenado ajuda a entender a escala. A Conab estima a safra 2025/26 em 361,7 milhões de toneladas, com soja recorde de 180,4 milhões. É muito grão passando por silos, secadores e armazéns, e muita gente trabalhando perto dele.
Quais são as causas mais comuns de acidente em silo?
Soterramento e queda. No levantamento dos auditores, o soterramento respondeu por 39,4% das mortes e a queda, por 18,7%. Juntos, somam 58,1%.
O ponto em comum é a entrada no silo. Segundo o levantamento, esses acidentes acontecem quando o trabalhador entra para limpar ou quebrar grão empedrado, o grão que gruda e forma blocos ou crostas. A massa pode ceder de repente sob quem está em cima.
Um compilado feito por auditor fiscal e divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho em abril de 2025 aponta que cerca de 40% das mortes em unidades armazenadoras são por asfixia, em engolfamento ou soterramento. O mecanismo está explicado em engolfamento em silo.

A imagem mostra o que uma varredura 3D enxerga de fora: o funil que se forma sobre a descarga, no ponto mais baixo, e as bordas mais altas junto à parede. Sem sensor, essa informação só se tem olhando lá dentro. As causas do grão empedrado estão em grão empedrado, ponte e buraco no silo.
Em quais estados há mais mortes em silos?
Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul aparecem no topo. Juntos, concentram 46,4% das mortes do levantamento. Somadas, as regiões Sul e Centro-Oeste chegam a 67,77%.
Estado ou região | Participação nas mortes (2021 a 2025) |
Mato Grosso | 16,75% |
Paraná | 16,24% |
Rio Grande do Sul | 13,45% |
MT, PR e RS juntos | 46,4% |
Regiões Sul e Centro-Oeste | 67,77% |
Fonte: levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho (MTE), divulgado pelo Brasil de Fato. Para quem opera silo nesses estados, o dado é um alerta direto: é ali que o levantamento registrou mais mortes.
Os acidentes em silos estão aumentando?
Não há série oficial que responda com segurança. O compilado de um auditor fiscal, divulgado pelo TST, registrou 69 mortes em unidades armazenadoras em 2020, 89 em 2021 e 87 em 2022, com estimativa de mais de 100 em 2023.
Ano | Mortes em unidades armazenadoras |
2020 | 69 |
2021 | 89 |
2022 | 87 |
2023 | Mais de 100 (estimativa) |
Fonte: compilado de auditor fiscal do trabalho, divulgado pelo TST em 11/04/2025. Segundo o tribunal, o levantamento foi feito justamente por falta de estatística oficial.
Não dá para somar essa série com as 394 mortes do levantamento mais recente. São recortes e métodos diferentes. O que as duas fontes mostram juntas é um problema persistente, de dezenas de mortes por ano.
Quais casos recentes mostram o risco?
Os casos abaixo foram noticiados por órgãos públicos e pela imprensa. Citamos local e data, sem nomes, por respeito às famílias.
Palotina (PR), 26/07/2023: uma explosão em complexo de silos de uma cooperativa deixou 10 mortos. Em 2025, o MPT firmou acordo com a cooperativa com prazo de 10 anos e programa de prevenção de explosões em 10 unidades.
Monte Castelo (SC), abril de 2024: dois jovens, de 21 e 23 anos, morreram engolfados. Um deles tentava socorrer o outro, segundo o TST.
Tupãssi (PR), 22/04/2026: um trabalhador de 60 anos morreu soterrado em soja durante a limpeza do silo.
Ibiá (MG), 19/09/2026: um silo de café desabou e um trabalhador de 21 anos morreu soterrado. É um risco diferente: o colapso da estrutura, não o soterramento durante a limpeza.
Em Monte Castelo e em Tupãssi, as vítimas estavam dentro do silo, em contato com o grão. É o mesmo padrão que o levantamento dos auditores descreve.
O que os números dos EUA mostram?
Nos EUA, onde uma universidade acompanha esses casos há décadas, o problema também continua. O relatório da Universidade Purdue registrou 48 casos em espaços confinados agrícolas em 2025, com 22 mortes, e 51 casos com 22 mortes em 2024.
O banco de dados de Purdue reúne 2.465 casos nos EUA de 1962 a 2021, e 59% foram fatais. A OSHA, agência de segurança do trabalho dos EUA, alerta que, em grão em movimento, bastam 2 a 3 segundos para a pessoa ficar sem reação.
O que você perde com um acidente em silo?
A vida de um trabalhador, antes de tudo. Depois vêm as consequências para a empresa, que casos julgados deixam claras:
Multa: de R$ 2.045,45 a R$ 204.554,10 por infração de segurança e saúde no trabalho, até R$ 409.108,20 em reincidência ou embaraço à fiscalização, segundo informe da FIERGS sobre a Portaria MTE nº 104/2026.
Indenização à família: R$ 500 mil aos pais de um jovem soterrado em açúcar em Aguaí (SP), segundo o TST, e R$ 250 mil ao filho de um trabalhador que caiu 19 metros no elevador do silo em Lagoa da Confusão (TO), segundo o TRT4.
Dano moral coletivo: R$ 250 mil em Sapezal (MT), segundo o CSJT, e R$ 150 mil contra uma fábrica de cimento em São Luís (MA), segundo o TST.
Ressarcimento ao INSS: em São Gabriel (RS), além de R$ 600 mil pagos à família, a empresa foi condenada a devolver ao INSS a pensão por morte, segundo a AGU, em notícia do Ponto na Curva.
Compromisso de longo prazo: em Palotina, o acordo com o MPT tem prazo de 10 anos.
A conta completa está em quanto custa um acidente em silo.
O que reduz o risco de acidente em silo?
Menos entradas e entradas mais seguras. A lógica aparece tanto no texto da NR-33, no Brasil, quanto nas regras da OSHA, nos EUA.

Nos EUA, a OSHA exige bloquear os equipamentos antes da entrada e proíbe entrar quando há grão empedrado formando ponte. A fiscalização brasileira também cobra o bloqueio e as medidas da NR-33. Em São Gabriel (RS), os 16 autos de infração citaram acesso sem bloqueio, falta de PET, falta de supervisão, equipe insuficiente, treinamento incompleto e ausência de plano de resgate. As exigências para entrar estão no guia de NR-33 no silo.
O monitoramento remoto atua no primeiro passo: reduz a necessidade de subir ou entrar para medir. O risco de entrar continua existindo, e a NR-33 continua valendo para cada entrada. Veja como medir o silo sem subir.
Como o HIDROPAAS monitora o silo em 3D
O HIDROPAAS, plataforma de monitoramento da PAAS, acompanha o silo à distância. A equipe vê o estoque e a superfície do grão no celular, sem precisar subir.
Mapa 3D da superfície: pontos mais altos e mais baixos, como o cone de enchimento e o funil de descarga.
Nível, volume e toneladas: nível do produto, com cálculo do volume e da massa estocada.
Alertas de nível no celular: silo cheio, vazio ou em nível crítico.
Temperatura e umidade do grão: com os sensores adequados instalados.
Acompanhamento remoto: pelo celular ou pela web.
Entrar no silo continua exigindo o que a NR-33 manda. O sistema serve para que menos entradas sejam necessárias só para saber o que há lá dentro. Mais detalhes no guia de monitoramento 3D de silo.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas morrem em acidentes em silos no Brasil?
Pelo menos 394 de 2021 a 2025, em 344 acidentes, cerca de 1,5 por semana. O dado é de levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho feito a partir das CATs. Os auditores admitem subnotificação, então o número real pode ser maior.
Quais são as principais causas de morte em silo?
Soterramento, com 39,4% das mortes no levantamento da Auditoria-Fiscal do Trabalho, e queda, com 18,7%. Segundo os auditores, esses acidentes acontecem quando o trabalhador entra para limpar ou quebrar grão empedrado.
Em quais estados morrem mais trabalhadores em silos?
Mato Grosso (16,75%), Paraná (16,24%) e Rio Grande do Sul (13,45%) aparecem no topo, com 46,4% das mortes juntos. Somadas, as regiões Sul e Centro-Oeste chegam a 67,77%, no levantamento de 2021 a 2025.
Existe estatística oficial de acidentes em silos?
Não há uma série oficial específica. O levantamento das 394 mortes é da Auditoria-Fiscal do Trabalho, com base nas CATs. Segundo o TST, a série de 2020 a 2022 foi compilada por um auditor fiscal justamente por falta de estatística oficial.
O que reduz o risco de acidente em silo?
Menos entradas e entradas mais seguras. O texto da NR-33 exige PET, vigia, supervisor que mede o ar e equipe de resgate em toda entrada. Nos EUA, a OSHA exige bloquear os equipamentos e proíbe entrar com grão empedrado formando ponte.
Monitorar o silo em 3D evita acidentes?
Reduz a necessidade de subir ou entrar no silo para medir, que é uma das situações de exposição. Não substitui a NR-33: qualquer entrada continua exigindo PET, vigia, supervisor e equipe de resgate.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Mais da metade das mortes em silos no levantamento dos auditores veio de soterramento ou queda, riscos de quem entra no silo; medir de fora reduz as subidas e entradas feitas só para ver o nível, e cada entrada continua exigindo o que a NR-33 manda. Para monitorar o seu silo em 3D, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.




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