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CONAMA 396/2008: Classificação de Águas Subterrâneas (Guia 2026)

  • Foto do escritor: Chert Bobsin
    Chert Bobsin
  • 17 de mai.
  • 4 min de leitura

A Resolução CONAMA Nº 396/2008 é a norma federal que classifica as águas subterrâneas brasileiras em 6 classes (Especial, 1, 2, 3, 4 e 5) com base na qualidade natural e nos usos permitidos. Define Valores Máximos Permitidos (VMP) para cada parâmetro (ferro, manganês, nitrato, metais pesados, agrotóxicos) e Valores de Referência de Qualidade (VRQ) por aquífero. É a base legal para análise de água de poço e para outorga. Este guia 2026 explica as classes e o que cada uma significa pra você.

O Que é a CONAMA 396/2008

Aprovada em 3 de abril de 2008 pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), a Resolução 396 dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento, prevenção e controle da poluição das águas subterrâneas. Substituiu regulamentações anteriores que tratavam águas superficiais e subterrâneas em conjunto, criando regime específico para aquíferos.

É a 'régua de qualidade' das águas subterrâneas brasileiras. Toda análise de água de poço artesiano é comparada com os limites desta resolução pra determinar o uso permitido (humano, animal, irrigação, indústria).

As 6 Classes de Águas Subterrâneas (Art. 3º)

Classe Especial

Águas dos aquíferos destinadas à PRESERVAÇÃO de ecossistemas em unidades de conservação de proteção integral. Uso: apenas ecológico. Não há captação permitida.

Classe 1

Águas dos aquíferos sem alteração de qualidade por atividades antrópicas e que não exigem tratamento para qualquer uso. ÁGUA PERFEITA — pronta pra consumo humano direto, irrigação fina, indústria farmacêutica.

Classe 2

Águas dos aquíferos com alterações por atividades antrópicas, em que pelo menos um parâmetro VRQ ultrapassa o VMP mais restritivo. Pode exigir tratamento simples para alguns usos. ÁGUA BOA mas com cuidados específicos.

Classe 3

Águas dos aquíferos com alterações que requerem tratamento simples (filtração + cloração padrão) para consumo humano. Pode ser usada in natura pra dessedentação animal, irrigação convencional e atividades industriais sem necessidade de água potável.

Classe 4

Águas dos aquíferos com alterações maiores que exigem tratamento avançado (osmose, ozônio, UV) para consumo humano. Uso direto: irrigação de culturas que não tenham contato direto com água (cana, café), atividades industriais não-alimentícias.

Classe 5

Águas dos aquíferos com alterações severas (contaminação crítica) que exigem tratamento muito avançado e específico. Uso muito restrito. Frequentemente associada a áreas contaminadas por indústrias, postos de combustível, lixões.

Parâmetros Avaliados (Anexo I)

Parâmetros Inorgânicos (VMP em mg/L)

  • Ferro total: 0,3 (consumo humano) - alto em RS Litoral, BA

  • Manganês: 0,1 (consumo) - alto em basaltos Serra Gaúcha

  • Nitrato (NO3): 10 (consumo) - indica contaminação por fossas

  • Nitrito (NO2): 1 (consumo) - similar nitrato

  • Amônia: 1,5 (consumo) - poluição orgânica recente

  • Fluoreto: 1,5 (consumo) - alto no Guarani Fronteira Oeste

  • Sulfato: 250 (consumo) - sabor ruim acima

  • Cloreto: 250 (consumo) - intrusão marinha no litoral

  • Sólidos totais dissolvidos: 1.000 (consumo) - salinidade

Metais Pesados (VMP em mg/L)

  • Arsênio: 0,01 - alto em algumas zonas mineiras

  • Chumbo: 0,01 - contaminação industrial

  • Cádmio: 0,005 - galvanoplastia, mineração

  • Cromo total: 0,05 - curtume, galvanização

  • Mercúrio: 0,001 - garimpo de ouro

  • Níquel: 0,07

  • Selênio: 0,01

  • Zinco: 5

  • Bário: 0,7

Parâmetros Microbiológicos

  • Escherichia coli (E. coli): AUSÊNCIA em 100mL (consumo) - obrigatório

  • Coliformes totais: AUSÊNCIA em 100mL (consumo) - obrigatório

  • Bactérias heterotróficas: máx 500 UFC/mL

Agrotóxicos (VMP variável por substância)

Mais de 30 agrotóxicos com limites específicos, incluindo: Glifosato (500 µg/L), Atrazina (2 µg/L), 2,4-D (30 µg/L), Endossulfan (20 µg/L), Lindano (2 µg/L), Carbofurano (7 µg/L). Crítico em zonas agrícolas.

VMP vs VRQ: Diferença Crítica

  • VMP (Valor Máximo Permitido): limite legal para uso específico (consumo humano, animal, irrigação, industrial)

  • VRQ (Valor de Referência de Qualidade): qualidade NATURAL do aquífero, sem intervenção antrópica

  • Quando VRQ > VMP: a água naturalmente está acima do limite (ex: ferro no RS) — precisa tratamento, mas não é poluição

  • Quando VRQ < VMP mas amostra ultrapassa VMP: contaminação real (fossa, indústria, agrotóxico)

Como CONAMA 396 Conecta com Outorga

Para emitir outorga, os órgãos estaduais exigem análise de água conforme Portaria GM/MS 888/2021 (parâmetros) e classificam o aquífero conforme CONAMA 396 (classe). Implicações:

  • Aquífero Classe 1 ou 2: outorga ágil, uso múltiplo permitido

  • Aquífero Classe 3: outorga com restrições — não permite uso humano direto sem tratamento

  • Aquífero Classe 4 ou 5: outorga restrita — em casos de contaminação, pode ser indeferida

  • Áreas contaminadas conhecidas: outorga negada até remediação

  • Áreas de RECARGA de aquífero: outorga limitada por sustentabilidade

Qualidade Natural por Aquífero Brasileiro

Aquífero Guarani

Geralmente Classe 1 ou 2. Pontos críticos: FLUORETO ALTO na Fronteira Oeste do RS (>5 mg/L) e temperatura alta. Tratamento: osmose reversa para flúor.

Aquífero Bambuí (MG/BA)

Classe 1 ou 2 quando bem construído. DUREZA ALTA (calcário). Tratamento: amaciador para uso industrial.

Aquífero Cristalino Fraturado

Classe 1 a 3. Variável conforme rocha (granito tem ferro, basalto tem manganês). Tratamento por filtro oxidante.

Aquífero Sedimentar Costeiro

Cuidado com INTRUSÃO MARINHA — pode subir cloreto e classe cair pra 3-4 em zonas litorâneas com captação intensa.

Aquífero Urucuia (Oeste BA)

Classe 1 ou 2. Boa qualidade. Vazões altas. Cuidado em zonas com agricultura intensiva (agrotóxicos).

Áreas Críticas no Brasil

  • Petrópolis e Vale do Paraíba: contaminação por hidrocarbonetos

  • Cubatão (SP): contaminação industrial histórica

  • Mariana e Brumadinho (MG): contaminação por rejeitos de mineração

  • Antigas zonas de garimpo (PA, AP, RR): mercúrio

  • Áreas urbanas adensadas sem saneamento: nitrato, coliformes

  • Zonas agrícolas com pulverização intensa: agrotóxicos

O Que Fazer Se a Água Está Fora dos Padrões

  • Análise completa de identificação (todos os parâmetros)

  • Investigação da fonte (fossa próxima? indústria? agrotóxico?)

  • Tratamento específico (filtro de ferro, osmose, UV, amaciador)

  • Comunicação ao órgão estadual (se contaminação grave)

  • Reavaliação da outorga (uso pode mudar)

  • Em casos críticos: tamponamento + perfuração em outro ponto

Como a PAAS Trata a Qualidade da Água

A PAAS faz análise completa conforme CONAMA 396/2008 + Portaria 888/2021, interpretação técnica do laudo, e dimensionamento do tratamento adequado (filtros, amaciador, osmose, UV, cloração). Geólogo Chert Bobsin (CREA-RS 204.398) + parceria com engenheiros químicos especializados. Equipe atende análise + solução em pacote único.

  • Coleta NBR 9898 (mantém validade do laudo)

  • Laboratório acreditado INMETRO

  • Interpretação técnica do laudo

  • Recomendação de tratamento por uso (humano, animal, irrigação, indústria)

  • Instalação completa do sistema de tratamento

  • Manutenção periódica garantindo qualidade contínua

Solicite análise + diagnóstico via WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 
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