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Laje de Proteção do Poço Artesiano: Medidas, Tampa e Vedação

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 1 dia
8 min de leitura

A laje de proteção do poço artesiano, também chamada de laje sanitária, é a placa de concreto em volta da boca do poço, com caimento para fora, que afasta a água da chuva do tubo. O Manual de poços da ANA indica 1,75 m por 1,75 m e no mínimo 15 cm de espessura, junto com tampa vedada e cimentação do espaço anular.

Capa com o texto “Laje de proteção do poço” sobre foto de uma boca de poço com tampa sobre laje de proteção de concreto e cerca, com o logotipo da PAAS e a faixa PAAS · Geólogo responsável · Brasil todo

Seu poço não tem laje ou a tampa não fecha direito? Mande fotos da boca do poço para o geólogo da PAAS no WhatsApp e veja o que precisa ser adequado.

O que é a laje de proteção do poço artesiano?

É a placa de concreto que envolve o tubo do poço no nível do terreno. Ela forma uma superfície firme e inclinada, para que a água da chuva escorra para longe da boca do poço, em vez de empoçar junto ao tubo e descer por fora dele.

A laje é uma das peças da proteção sanitária, junto com a cimentação do espaço anular, o tubo acima da laje, a tampa e, em poço de abastecimento público, a cerca. O espaço anular é a folga entre o tubo e o terreno perfurado. Cada peça fecha um caminho diferente da água de superfície.

Quando a proteção falha, um sintoma típico é a água que fica barrenta depois da chuva. Esse caso, com o risco de coliformes e o que fazer logo depois da chuva, está em poço com água barrenta depois da chuva.

Qual a medida da laje de proteção do poço artesiano?

Não há um número único para todo o Brasil. O Manual orientativo de poços da ANA indica laje de 1,75 m por 1,75 m, com no mínimo 0,15 m de espessura e caimento. Em São Paulo, o Decreto estadual 63.261/2018 fixa área mínima de 3 m² e espessura mínima de 10 cm.

Referência

Área

Espessura mínima

Outros pontos

ANA, Manual orientativo de poços (vol. 3)

1,75 m por 1,75 m, medida indicada (cerca de 3,06 m², pelo cálculo)

15 cm

Caimento; tampa: chapa soldada, tampa com rosca e cadeado ou equivalente

São Paulo, Decreto 63.261/2018

3 m², mínimo

10 cm

Concreto armado moldado no local, envolvendo o tubo, com caimento do centro para as bordas

DESO/ORSE, Sergipe (ES 2.06.03)

2 m², mínimo

15 cm

Vale quando o projeto não define; tubo 50 cm acima da laje

Fonte da tabela: Manual da ANA (p. 29 e 30); Decreto SP 63.261/2018, que deu nova redação ao Art. 24 do Decreto 32.955/1991; especificação ES 2.06.03 da DESO, no sistema ORSE de Sergipe. Na área, a ANA indica uma medida, enquanto SP e DESO fixam um mínimo; na espessura, as três trazem mínimos. Confira a regra do seu estado e do projeto do seu poço.

Gráfico de barras com a área da laje de proteção do poço em três referências: cerca de 3,06 metros quadrados na medida indicada pela ANA, de 1,75 m por 1,75 m, 3 metros quadrados como mínimo do Decreto 63.261/2018 de São Paulo e 2 metros quadrados como mínimo da especificação da DESO, de Sergipe.

Uma conta ajuda na obra. A laje de 1,75 m por 1,75 m e 15 cm de espessura, como indica a ANA, atende em área e em espessura às três referências da tabela. Em São Paulo, ela ainda precisa ser de concreto armado moldado no local.

E as normas da ABNT? O próprio manual da ANA explica que normas técnicas são voluntárias e ficam obrigatórias quando um ato do poder público ou um contrato as cita. Por isso, na prática, o que manda é a regra do seu estado e o contrato ou projeto do poço.

Qual a altura do tubo e como deve ser a tampa do poço?

O tubo deve ficar acima da laje, e a boca deve estar fechada com tampa que não deixe entrar água, animais ou objetos. A especificação da DESO/ORSE pede o tubo 50 cm acima da laje quando o projeto não define outra medida.

Para a tampa, o Manual da ANA cita chapa soldada, tampa com rosca e cadeado ou solução equivalente. A rosca ou a solda fecham a passagem da água, e o cadeado evita que o poço seja aberto por qualquer pessoa. Tampa solta, de lata ou de madeira dificilmente cumpre essa função.

A tubulação de saída e o cabo da bomba também passam pela boca do poço. Esses pontos precisam de vedação, para não virarem mais uma entrada de água e de insetos.

O que é a cimentação sanitária do poço?

É o preenchimento com cimento do espaço anular, na parte de cima do poço, para impedir que a água de superfície desça pelo lado de fora do tubo. Sem ela, a laje protege a boca, mas a água ainda pode encontrar o vão.

O Manual da ANA indica cimentação sanitária de pelo menos 12 m em áreas com alto potencial de contaminação e de 30 m em poço de abastecimento público. O espaço anular recomendado pelo manual é de 3 polegadas (76,2 mm).

A DESO/ORSE, quando o projeto não define, pede cimentação de no mínimo 12 m, com espessura de pelo menos 50 mm. Nas 48 horas seguintes à cimentação, nada deve ser feito no poço.

No RS, essa falha é conhecida. Um trabalho do Serviço Geológico do Brasil (Trein e Goffermann, 2012) aponta que muitos poços do estado parecem ter ficado com esse vão sem preenchimento, o que abre passagem para a água de superfície.

Infográfico com quatro cartões sobre as peças principais da proteção sanitária do poço: laje com caimento de 1,75 m por 1,75 m e 15 cm segundo a ANA; tubo 50 cm acima da laje segundo a DESO; tampa com rosca e cadeado ou equivalente segundo a ANA; e cimentação do espaço anular de pelo menos 12 m em área de risco e 30 m em poço público segundo a ANA.

Caixa de proteção para poço artesiano substitui a laje?

Não. Muita gente chama de caixa de proteção a caixa de alvenaria ou de concreto, ou o abrigo, que fica em volta da boca do poço. Ela protege a tubulação, o cabo e o registro, mas as referências técnicas citadas aqui tratam da laje, da tampa e da cimentação, e a caixa não ocupa o lugar delas.

O cuidado é com a água dentro da caixa. Se ela junta água da chuva em volta do tubo, faz o contrário do que a laje com caimento busca. Na prática, a caixa deve ficar sobre a laje, com o tubo acima do piso, a tampa vedada na boca do poço e sem acumular água.

A cerca é outra peça. Para poço de abastecimento público, o Manual da ANA indica perímetro de 10 m com alambrado. Em São Paulo, o Decreto 63.261/2018 passou a contar o perímetro de proteção “a partir do ponto de captação”, e o raio de 10 m do texto de 1991 saiu.

Como adequar um poço antigo sem laje de proteção?

Em muitos casos dá para adequar o poço que já existe, desde que a ordem seja respeitada: avaliar, fazer a obra, desinfetar e analisar a água.

  1. Avalie a boca e o entorno. Veja o tubo, a tampa, a poça em volta e a distância da fossa. A ABNT NBR 7229 indica 15 m entre fossa séptica e poço.

  2. Investigue o espaço anular. Procure no relatório do poço se houve cimentação sanitária. Sem registro, o técnico avalia caso a caso se a laje sozinha basta.

  3. Deixe o tubo acima do piso. Se o tubo está rente ao chão, ele precisa ser prolongado antes da laje.

  4. Molde a laje. Concreto envolvendo o tubo, com caimento do centro para as bordas e as medidas da regra que vale para o seu poço.

  5. Instale a tampa certa. Rosca e cadeado, chapa soldada ou equivalente, com vedação nas passagens de cabo e tubulação.

  6. Limpe, desinfete e analise. Depois da obra, o poço passa por limpeza e desinfecção, e a água vai para o laboratório.

Boca de poço tubular de PVC branco saindo de terreno rural encharcado, sem laje de proteção, com poças de água barrenta ao redor depois da chuva.

A foto acima mostra o que a adequação corrige: tubo saindo direto do chão, sem laje, com água barrenta parada em volta. A limpeza depois da obra está em limpeza de poço artesiano: quando e como, e a desinfecção, em desinfecção de poços tubulares.

O que você perde com um poço sem laje de proteção?

Sem laje, tampa e vedação adequadas, a boca do poço fica exposta. O prejuízo aparece na própria obra, no uso da água e, em alguns casos, na fiscalização.

  • Laje que trinca ou empoça. Laje abaixo da espessura indicada ou sem caimento pode trincar ou juntar água junto ao tubo, e aí a obra precisa ser refeita.

  • Tampa que deixa entrar o que não deve. Tampa solta ou improvisada abre caminho para insetos, pequenos animais e enxurrada direto na boca do poço.

  • Poço fora de uso. Se a água ficar imprópria, o poço deixa de servir para beber até a obra ser feita e uma nova análise confirmar o resultado.

  • Exigência legal. Em São Paulo, a laje faz parte do Art. 24 do Decreto 32.955/1991, na redação do Decreto 63.261/2018. Em sistemas que fornecem água a outras pessoas, descumprir norma sanitária pode ser enquadrado na Lei 6.437/1977, com multas de R$ 2.000 a R$ 1.500.000, conforme a gravidade.

Como a PAAS adequa a proteção do poço

A PAAS trabalha com poços e água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA. Na adequação da proteção, o trabalho começa pela avaliação e termina com a análise da água, para confirmar que o caminho da chuva foi fechado.

  • Avaliação da boca do poço, do entorno e da distância da fossa.

  • Adequação da proteção, com laje, tampa e vedação.

  • Limpeza e desinfecção do poço depois da obra.

  • Análise de água para confirmar o resultado.

O serviço presencial é feito no RS, dentro da manutenção de poço artesiano no RS. Em outros estados, o geólogo orienta pelo WhatsApp, a partir das fotos, o que pedir ao profissional da sua região.

Depois da obra, é bom acompanhar se a água ainda turva a cada chuva. Para medir a turbidez todo dia, com aviso no celular, veja o medidor de turbidez online para poço com cloração, no blog do HIDROPAAS.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho da laje de proteção do poço artesiano?

O Manual de poços da ANA indica 1,75 m por 1,75 m, com no mínimo 15 cm de espessura e caimento. Em São Paulo, o Decreto 63.261/2018 fixa área mínima de 3 m² e espessura mínima de 10 cm. A especificação da DESO, de Sergipe, usa no mínimo 2 m² e 15 cm quando o projeto não define.

O que é laje sanitária de poço artesiano?

É o mesmo que laje de proteção: a placa de concreto em volta da boca do poço, com caimento para fora. Ela afasta a água da chuva do tubo e faz parte da proteção sanitária, junto com a tampa e a cimentação do espaço anular.

Caixa de proteção para poço artesiano substitui a laje?

Não. A caixa ou o abrigo protege a tubulação e o registro, mas as referências técnicas tratam da laje, da tampa e da cimentação. Se a caixa juntar água em volta do tubo, ela atrapalha a proteção em vez de ajudar.

Quantos centímetros o tubo do poço deve ficar acima da laje?

A especificação ES 2.06.03 da DESO/ORSE, de Sergipe, pede 50 cm acima da laje quando o projeto não define outra medida. A regra do seu estado ou o projeto do poço podem trazer um valor próprio.

A laje de proteção do poço é obrigatória?

Depende do lugar. Em São Paulo, ela está no Decreto 32.955/1991, na redação do Decreto 63.261/2018. As normas da ABNT são voluntárias e ficam obrigatórias quando um ato do poder público ou um contrato as cita, por isso a exigência muda de estado para estado.

Qual a profundidade da cimentação sanitária do poço?

O Manual da ANA indica pelo menos 12 m em áreas com alto potencial de contaminação e 30 m em poço de abastecimento público. A DESO/ORSE também usa no mínimo 12 m quando o projeto não define.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

A laje de proteção do poço artesiano funciona em conjunto: laje com caimento, tubo acima da laje, tampa vedada e espaço anular cimentado. As medidas mudam conforme a referência, e a de 1,75 m por 1,75 m com 15 cm atende, em área e espessura, às três citadas aqui. Para adequar o seu poço, fale com o geólogo da PAAS no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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