Laje de Proteção do Poço Artesiano: Medidas, Tampa e Vedação

A laje de proteção do poço artesiano, também chamada de laje sanitária, é a placa de concreto em volta da boca do poço, com caimento para fora, que afasta a água da chuva do tubo. O Manual de poços da ANA indica 1,75 m por 1,75 m e no mínimo 15 cm de espessura, junto com tampa vedada e cimentação do espaço anular.

Seu poço não tem laje ou a tampa não fecha direito? Mande fotos da boca do poço para o geólogo da PAAS no WhatsApp e veja o que precisa ser adequado.
O que é a laje de proteção do poço artesiano?
É a placa de concreto que envolve o tubo do poço no nível do terreno. Ela forma uma superfície firme e inclinada, para que a água da chuva escorra para longe da boca do poço, em vez de empoçar junto ao tubo e descer por fora dele.
A laje é uma das peças da proteção sanitária, junto com a cimentação do espaço anular, o tubo acima da laje, a tampa e, em poço de abastecimento público, a cerca. O espaço anular é a folga entre o tubo e o terreno perfurado. Cada peça fecha um caminho diferente da água de superfície.
Quando a proteção falha, um sintoma típico é a água que fica barrenta depois da chuva. Esse caso, com o risco de coliformes e o que fazer logo depois da chuva, está em poço com água barrenta depois da chuva.
Qual a medida da laje de proteção do poço artesiano?
Não há um número único para todo o Brasil. O Manual orientativo de poços da ANA indica laje de 1,75 m por 1,75 m, com no mínimo 0,15 m de espessura e caimento. Em São Paulo, o Decreto estadual 63.261/2018 fixa área mínima de 3 m² e espessura mínima de 10 cm.
Referência | Área | Espessura mínima | Outros pontos |
ANA, Manual orientativo de poços (vol. 3) | 1,75 m por 1,75 m, medida indicada (cerca de 3,06 m², pelo cálculo) | 15 cm | Caimento; tampa: chapa soldada, tampa com rosca e cadeado ou equivalente |
São Paulo, Decreto 63.261/2018 | 3 m², mínimo | 10 cm | Concreto armado moldado no local, envolvendo o tubo, com caimento do centro para as bordas |
DESO/ORSE, Sergipe (ES 2.06.03) | 2 m², mínimo | 15 cm | Vale quando o projeto não define; tubo 50 cm acima da laje |
Fonte da tabela: Manual da ANA (p. 29 e 30); Decreto SP 63.261/2018, que deu nova redação ao Art. 24 do Decreto 32.955/1991; especificação ES 2.06.03 da DESO, no sistema ORSE de Sergipe. Na área, a ANA indica uma medida, enquanto SP e DESO fixam um mínimo; na espessura, as três trazem mínimos. Confira a regra do seu estado e do projeto do seu poço.

Uma conta ajuda na obra. A laje de 1,75 m por 1,75 m e 15 cm de espessura, como indica a ANA, atende em área e em espessura às três referências da tabela. Em São Paulo, ela ainda precisa ser de concreto armado moldado no local.
E as normas da ABNT? O próprio manual da ANA explica que normas técnicas são voluntárias e ficam obrigatórias quando um ato do poder público ou um contrato as cita. Por isso, na prática, o que manda é a regra do seu estado e o contrato ou projeto do poço.
Qual a altura do tubo e como deve ser a tampa do poço?
O tubo deve ficar acima da laje, e a boca deve estar fechada com tampa que não deixe entrar água, animais ou objetos. A especificação da DESO/ORSE pede o tubo 50 cm acima da laje quando o projeto não define outra medida.
Para a tampa, o Manual da ANA cita chapa soldada, tampa com rosca e cadeado ou solução equivalente. A rosca ou a solda fecham a passagem da água, e o cadeado evita que o poço seja aberto por qualquer pessoa. Tampa solta, de lata ou de madeira dificilmente cumpre essa função.
A tubulação de saída e o cabo da bomba também passam pela boca do poço. Esses pontos precisam de vedação, para não virarem mais uma entrada de água e de insetos.
O que é a cimentação sanitária do poço?
É o preenchimento com cimento do espaço anular, na parte de cima do poço, para impedir que a água de superfície desça pelo lado de fora do tubo. Sem ela, a laje protege a boca, mas a água ainda pode encontrar o vão.
O Manual da ANA indica cimentação sanitária de pelo menos 12 m em áreas com alto potencial de contaminação e de 30 m em poço de abastecimento público. O espaço anular recomendado pelo manual é de 3 polegadas (76,2 mm).
A DESO/ORSE, quando o projeto não define, pede cimentação de no mínimo 12 m, com espessura de pelo menos 50 mm. Nas 48 horas seguintes à cimentação, nada deve ser feito no poço.
No RS, essa falha é conhecida. Um trabalho do Serviço Geológico do Brasil (Trein e Goffermann, 2012) aponta que muitos poços do estado parecem ter ficado com esse vão sem preenchimento, o que abre passagem para a água de superfície.

Caixa de proteção para poço artesiano substitui a laje?
Não. Muita gente chama de caixa de proteção a caixa de alvenaria ou de concreto, ou o abrigo, que fica em volta da boca do poço. Ela protege a tubulação, o cabo e o registro, mas as referências técnicas citadas aqui tratam da laje, da tampa e da cimentação, e a caixa não ocupa o lugar delas.
O cuidado é com a água dentro da caixa. Se ela junta água da chuva em volta do tubo, faz o contrário do que a laje com caimento busca. Na prática, a caixa deve ficar sobre a laje, com o tubo acima do piso, a tampa vedada na boca do poço e sem acumular água.
A cerca é outra peça. Para poço de abastecimento público, o Manual da ANA indica perímetro de 10 m com alambrado. Em São Paulo, o Decreto 63.261/2018 passou a contar o perímetro de proteção “a partir do ponto de captação”, e o raio de 10 m do texto de 1991 saiu.
Como adequar um poço antigo sem laje de proteção?
Em muitos casos dá para adequar o poço que já existe, desde que a ordem seja respeitada: avaliar, fazer a obra, desinfetar e analisar a água.
Avalie a boca e o entorno. Veja o tubo, a tampa, a poça em volta e a distância da fossa. A ABNT NBR 7229 indica 15 m entre fossa séptica e poço.
Investigue o espaço anular. Procure no relatório do poço se houve cimentação sanitária. Sem registro, o técnico avalia caso a caso se a laje sozinha basta.
Deixe o tubo acima do piso. Se o tubo está rente ao chão, ele precisa ser prolongado antes da laje.
Molde a laje. Concreto envolvendo o tubo, com caimento do centro para as bordas e as medidas da regra que vale para o seu poço.
Instale a tampa certa. Rosca e cadeado, chapa soldada ou equivalente, com vedação nas passagens de cabo e tubulação.
Limpe, desinfete e analise. Depois da obra, o poço passa por limpeza e desinfecção, e a água vai para o laboratório.

A foto acima mostra o que a adequação corrige: tubo saindo direto do chão, sem laje, com água barrenta parada em volta. A limpeza depois da obra está em limpeza de poço artesiano: quando e como, e a desinfecção, em desinfecção de poços tubulares.
O que você perde com um poço sem laje de proteção?
Sem laje, tampa e vedação adequadas, a boca do poço fica exposta. O prejuízo aparece na própria obra, no uso da água e, em alguns casos, na fiscalização.
Laje que trinca ou empoça. Laje abaixo da espessura indicada ou sem caimento pode trincar ou juntar água junto ao tubo, e aí a obra precisa ser refeita.
Tampa que deixa entrar o que não deve. Tampa solta ou improvisada abre caminho para insetos, pequenos animais e enxurrada direto na boca do poço.
Poço fora de uso. Se a água ficar imprópria, o poço deixa de servir para beber até a obra ser feita e uma nova análise confirmar o resultado.
Exigência legal. Em São Paulo, a laje faz parte do Art. 24 do Decreto 32.955/1991, na redação do Decreto 63.261/2018. Em sistemas que fornecem água a outras pessoas, descumprir norma sanitária pode ser enquadrado na Lei 6.437/1977, com multas de R$ 2.000 a R$ 1.500.000, conforme a gravidade.
Como a PAAS adequa a proteção do poço
A PAAS trabalha com poços e água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA. Na adequação da proteção, o trabalho começa pela avaliação e termina com a análise da água, para confirmar que o caminho da chuva foi fechado.
Avaliação da boca do poço, do entorno e da distância da fossa.
Adequação da proteção, com laje, tampa e vedação.
Limpeza e desinfecção do poço depois da obra.
Análise de água para confirmar o resultado.
O serviço presencial é feito no RS, dentro da manutenção de poço artesiano no RS. Em outros estados, o geólogo orienta pelo WhatsApp, a partir das fotos, o que pedir ao profissional da sua região.
Depois da obra, é bom acompanhar se a água ainda turva a cada chuva. Para medir a turbidez todo dia, com aviso no celular, veja o medidor de turbidez online para poço com cloração, no blog do HIDROPAAS.
Perguntas frequentes
Qual o tamanho da laje de proteção do poço artesiano?
O Manual de poços da ANA indica 1,75 m por 1,75 m, com no mínimo 15 cm de espessura e caimento. Em São Paulo, o Decreto 63.261/2018 fixa área mínima de 3 m² e espessura mínima de 10 cm. A especificação da DESO, de Sergipe, usa no mínimo 2 m² e 15 cm quando o projeto não define.
O que é laje sanitária de poço artesiano?
É o mesmo que laje de proteção: a placa de concreto em volta da boca do poço, com caimento para fora. Ela afasta a água da chuva do tubo e faz parte da proteção sanitária, junto com a tampa e a cimentação do espaço anular.
Caixa de proteção para poço artesiano substitui a laje?
Não. A caixa ou o abrigo protege a tubulação e o registro, mas as referências técnicas tratam da laje, da tampa e da cimentação. Se a caixa juntar água em volta do tubo, ela atrapalha a proteção em vez de ajudar.
Quantos centímetros o tubo do poço deve ficar acima da laje?
A especificação ES 2.06.03 da DESO/ORSE, de Sergipe, pede 50 cm acima da laje quando o projeto não define outra medida. A regra do seu estado ou o projeto do poço podem trazer um valor próprio.
A laje de proteção do poço é obrigatória?
Depende do lugar. Em São Paulo, ela está no Decreto 32.955/1991, na redação do Decreto 63.261/2018. As normas da ABNT são voluntárias e ficam obrigatórias quando um ato do poder público ou um contrato as cita, por isso a exigência muda de estado para estado.
Qual a profundidade da cimentação sanitária do poço?
O Manual da ANA indica pelo menos 12 m em áreas com alto potencial de contaminação e 30 m em poço de abastecimento público. A DESO/ORSE também usa no mínimo 12 m quando o projeto não define.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
A laje de proteção do poço artesiano funciona em conjunto: laje com caimento, tubo acima da laje, tampa vedada e espaço anular cimentado. As medidas mudam conforme a referência, e a de 1,75 m por 1,75 m com 15 cm atende, em área e espessura, às três citadas aqui. Para adequar o seu poço, fale com o geólogo da PAAS no WhatsApp (51) 99289-2188.




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