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Poço Fica com Água Barrenta Depois da Chuva? Infiltração e Como Resolver

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 1 dia
8 min de leitura

Poço com água barrenta depois da chuva costuma indicar que água de superfície está chegando à captação, pela boca do poço sem laje, pelo espaço anular sem cimentação ou por trinca no revestimento. Junto com o barro podem entrar coliformes. Não beba essa água até a análise e corrija a proteção do poço.

Capa com o texto “Poço barrento depois da chuva” sobre foto de uma boca de poço tubular em terreno encharcado depois da chuva, com o logotipo da PAAS e a faixa PAAS · Geólogo responsável · Brasil todo

Choveu e a água do poço mudou? Mande uma foto da boca do poço para o geólogo da PAAS no WhatsApp e veja por onde a água pode estar entrando.

Por que o poço fica com água barrenta depois da chuva?

Em geral, porque a água da chuva encontrou um caminho curto até o poço. Em vez de infiltrar devagar pelo solo e pela rocha até o aquífero, ela escorre pela superfície, chega à boca do poço ou desce junto ao tubo e leva o barro junto.

O guia de turbidez do Health Canada, órgão de saúde do Canadá, trata esse sinal como alerta. Turbidez que sobe depois de chuva forte pode indicar mudança no aquífero perto do poço ou trinca no revestimento, e deve ser investigada e corrigida.

A diferença para outros tipos de turvação é o momento. Se a água fica turva o tempo todo, ou escurece só depois de parada no copo, a causa costuma ser outra, como pré-filtro, revestimento gasto ou ferro. Esse diagnóstico pelo sintoma está em água de poço turva ou barrenta: causas.

Por onde a água da chuva entra no poço?

Há quatro caminhos principais: a boca do poço, o espaço anular, o revestimento e o entorno contaminado. Espaço anular é o vão entre a parede do furo e o tubo de revestimento, que deveria ser vedado com cimento.

Caminho da água

O que acontece

Sinal no campo

Fonte

Boca do poço sem laje ou sem tampa vedada

A enxurrada empoça em volta do tubo e desce pelo lado de fora ou entra pela boca

Tubo rente ao chão, poça em volta, tampa solta

ANA (laje com caimento e tampa)

Espaço anular sem cimentação

A água de superfície desce pelo vão entre o furo e o tubo

Poço antigo sem registro de cimentação

SGB (frequente no RS) e ANA

Trinca ou furo no revestimento

Água de camadas rasas entra pelo tubo danificado

Barro que aparece mesmo com a boca protegida

Health Canada e ANA

Fossa ou esgoto perto do poço

A água que infiltra pode levar contaminação até a captação

Fossa a menos de 15 m do poço

ABNT NBR 7229

No RS, o anular pede atenção. Para o Serviço Geológico do Brasil (Trein e Goffermann, 2012), poços gaúchos com esse vão sem preenchimento parecem ser frequentes, e é por ali que a água da chuva encontra passagem.

Pode haver mais de um caminho no mesmo poço. Só a avaliação no local, com a boca do poço exposta e o entorno observado, separa um caminho do outro.

Poço com água barrenta depois da chuva traz risco de coliformes?

Pode trazer. O mesmo caminho que leva o barro para dentro do poço pode levar micro-organismos da superfície, de fossas e de animais. Por isso a água barrenta depois da chuva deve ser tratada como suspeita até a análise.

Coliformes são bactérias usadas como indicador de contaminação, inclusive de origem fecal. Quando aparecem na análise, a água não deve ser bebida sem tratamento.

O guia do Canadá dá a pista pelo lado oposto: turbidez baixa e estável em todas as estações ajuda a mostrar que o poço é menos vulnerável à contaminação fecal. Um poço que turva a cada chuva não tem essa indicação a seu favor e pede investigação.

Água que clareou depois de alguns dias não está liberada por isso. A turvação passa, mas o caminho de entrada continua aberto para a próxima chuva. Só a análise de laboratório diz se há coliformes.

Em condomínio, escola ou empresa, a Portaria GM/MS 888/2021 manda refazer a coleta em dias seguidos quando dá coliformes (Art. 27), como explica o post deu coliformes na análise da água do poço.

O que fazer logo depois da chuva?

Primeiro, proteja quem bebe a água e registre o que está vendo. A obra de correção vem depois, com diagnóstico.

  1. Não beba nem cozinhe com a água sem tratar. Use outra fonte segura. Se não houver, a cartilha de qualidade da água do Ministério da Saúde (2018) orienta coar ou filtrar a água antes, pingar 2 gotas de hipoclorito de sódio 2,5% por litro e esperar 30 minutos. Sem hipoclorito, a orientação é ferver por 5 minutos.

  2. Use a água tratada no mesmo dia. Pela mesma cartilha, a água tratada com hipoclorito deve ser usada no dia ou, no máximo, no dia seguinte.

  3. Olhe a boca do poço. Veja se há poça em volta do tubo, tampa solta, tubo rente ao chão ou enxurrada passando perto. Tire fotos.

  4. Faça a análise de laboratório. Peça coliformes, turbidez e cor. Vale coletar enquanto o problema aparece e de novo depois da correção.

  5. Cuide da caixa d'água. A cartilha do Ministério da Saúde orienta limpar o reservatório quando há contaminação ou mudança de cor, odor ou sabor da água.

  6. Corrija a proteção e só então faça a desinfecção do poço. Em sistema coletivo, a cloração da água continua o tempo todo (Art. 31).

Infográfico em fluxo com cinco passos para o poço com água barrenta depois da chuva: não beber sem tratar, coando a água, pingando 2 gotas por litro de hipoclorito 2,5% e esperando 30 minutos, ou fervendo por 5 minutos; olhar a boca do poço em busca de poça, tampa solta ou tubo rente ao chão; fazer análise de coliformes, turbidez e cor; limpar a caixa d'água se o barro chegou ao reservatório; e fechar a entrada da água antes de desinfetar o poço, mantendo a cloração contínua em sistema coletivo.

Como resolver de vez o poço com água barrenta depois da chuva?

A solução duradoura é fechar os caminhos de entrada com a obra de proteção sanitária: laje de concreto com caimento para fora, tubo acima da laje, tampa vedada e espaço anular cimentado. O Manual orientativo de poços da ANA descreve a laje, a tampa e a cimentação. A altura do tubo, de 50 cm acima da laje, vem da especificação ES 2.06.03 da DESO, de Sergipe, para quando o projeto não define outra medida.

A laje faz a água da chuva escorrer para longe do tubo, em vez de empoçar em volta dele. A tampa impede a entrada pela boca. A cimentação do espaço anular fecha o vão por onde a água de superfície desce. As medidas de cada item estão em laje de proteção do poço: medidas, tampa e vedação.

Boca de poço com tubo metálico e tampa sobre uma laje quadrada de concreto, com grama ao redor e cerca de proteção em volta.

Quando o barro aparece mesmo com a boca bem protegida, a suspeita passa ao revestimento. A ANA indica a vídeo-inspeção, que chama de perfilagem ótica, para ver o tubo por dentro. O manual cita furos nas soldas de tubos de aço e ranhuras alargadas em tubos de PVC.

A fossa também entra na conta. A ABNT NBR 7229 indica distância mínima de 15 m entre fossa séptica e poço. Se a fossa está mais perto, a correção pode envolver o sistema de esgoto, e não só o poço.

Depois de corrigir a proteção, o poço passa por limpeza e desinfecção, e a água volta a ser analisada. O procedimento está explicado em desinfecção de poços tubulares.

O que você perde se o poço continuar recebendo água da chuva?

Você convive com água suspeita a cada chuva e com um poço que se desgasta por dentro. Os prejuízos aparecem na saúde, no equipamento e, em sistemas coletivos, na fiscalização.

  • Saúde de quem bebe. A cada chuva, a água pode voltar a receber coliformes, mesmo que pareça limpa no resto do tempo.

  • Bomba em risco. No RS, o SGB associa o anular aberto ao arraste de material de rochas friáveis, que pode travar a bomba.

  • Limpeza da caixa repetida. O barro passa do poço ao reservatório, e a limpeza volta a ser necessária a cada episódio.

  • Coletas extras na Vigilância. Em sistema coletivo, coliformes positivos levam a recoletas pela Portaria 888. A infração sanitária pode ser enquadrada na Lei 6.437/1977, com multas de R$ 2.000 a R$ 1.500.000, conforme a gravidade.

Como a PAAS resolve o poço que fica barrento na chuva

A PAAS trabalha com poços e água desde 1985, com geólogo responsável registrado no CREA. No poço que barreia com a chuva, o trabalho segue a ordem da causa: achar o caminho da água, fechar, desinfetar e confirmar com análise.

  • Localizar a entrada da água: boca do poço, anular, revestimento ou fossa próxima.

  • Fechar o caminho com a obra de proteção adequada àquele poço.

  • Desinfetar o poço só depois que a entrada estiver fechada.

  • Confirmar com nova análise de coliformes e turbidez, que vale repetir depois de uma chuva forte.

O serviço presencial é feito no RS. Fora do estado, o geólogo orienta pelo WhatsApp a partir das fotos da boca do poço e da análise.

Para entender por que água turva atrapalha a desinfecção, veja como a turbidez protege as bactérias do cloro. Em condomínio ou empresa que quer acompanhar turbidez e cloro todo dia, veja o medidor de turbidez online para poço com cloração, no blog do HIDROPAAS.

Perguntas frequentes

Posso beber a água barrenta do poço depois da chuva?

Não até a análise. O barro costuma indicar que água de superfície chegou ao poço, e ela pode trazer coliformes. Sem outra fonte, a cartilha do Ministério da Saúde orienta coar ou filtrar a água, pingar 2 gotas de hipoclorito de sódio 2,5% por litro e esperar 30 minutos, ou ferver por 5 minutos.

Se a água clarear sozinha, o problema acabou?

Não necessariamente. A turvação passa, mas o caminho de entrada da água de superfície continua aberto para a próxima chuva. Só a análise de laboratório mostra se há coliformes, e só a correção da proteção fecha o caminho.

Jogar cloro no poço resolve a água barrenta?

Sozinho, não. O cloro pode desinfetar a água, mas não fecha o caminho por onde a chuva entra, e o barro tende a voltar na próxima chuva. O caminho é corrigir a proteção e depois fazer a limpeza e a desinfecção do poço, com orientação técnica.

Poço artesiano profundo também fica barrento com a chuva?

Pode ficar. A profundidade não protege o poço se a água de superfície desce pelo espaço anular sem cimentação ou entra por trinca no revestimento. No RS, o SGB aponta que poços com o anular aberto parecem ser frequentes.

Qual a distância mínima entre fossa e poço?

A ABNT NBR 7229 indica 15 m entre fossa séptica e poço. A prefeitura ou o órgão estadual podem ter regras próprias, então vale conferir no seu município antes de qualquer obra.

A laje de proteção resolve a infiltração?

Resolve quando a água entra pela boca do poço. Se o caminho for o espaço anular sem cimentação ou uma trinca no revestimento, a laje sozinha não basta, e o poço precisa de avaliação por dentro, como a vídeo-inspeção indicada pela ANA.

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Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Poço com água barrenta depois da chuva tem um caminho de entrada aberto, e o risco maior não é o barro, mas o que pode vir com ele. Pare de beber, faça a análise e feche o caminho com a proteção certa antes de desinfetar. Para avaliar o seu poço, fale com o geólogo da PAAS no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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