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Deu coliformes ou E. coli na análise da água do poço: o que fazer

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 17 horas
8 min de leitura

Se a análise da água do poço deu coliformes totais ou E. coli, a água está fora do padrão da Portaria GM/MS nº 888/2021, que exige ausência de E. coli em 100 mL. A primeira atitude é parar de beber a água sem ferver ou tratar e usar outra fonte para beber e cozinhar. Depois, é preciso achar a causa (tampa, laje, fossa, caixa d'água ou falta de cloro), limpar e desinfetar o poço e o reservatório e coletar uma nova amostra. Se o poço fornece água a outras pessoas, a Portaria 888 manda avisar a autoridade de saúde e quem consome a água.

E. coli indica contaminação por fezes. Se um morador, hóspede, aluno ou funcionário adoecer, um resultado positivo sem nenhuma providência vira prova contra quem fornece a água. Para condomínio, empresa, hotel ou escola, a Vigilância Sanitária pode aplicar advertência, multa e interdição do estabelecimento.

Técnico coletando amostra de água na torneira ao lado do poço para refazer a análise depois de resultado positivo para coliformes

Coliformes totais e E. coli: qual a diferença

Coliformes totais são um grupo grande de bactérias. Muitas vivem no solo e na vegetação, sem vir de esgoto. O recado é: a água ficou desprotegida. Na saída do tratamento, esse indicador mostra se a desinfecção funciona; no reservatório e nas torneiras, se a água continua protegida.

E. coli (Escherichia coli) vive no intestino de pessoas e animais de sangue quente. A Portaria 888 a chama de "indicador de contaminação fecal": esgoto, fossa ou fezes de animal estão chegando à água.

Resultado no laudo

O que significa

Gravidade

Coliformes totais presentes, E. coli ausente

Bactérias do ambiente entraram na água ou o cloro não deu conta

Atenção: corrigir e recoletar

E. coli presente

Contaminação de origem fecal (esgoto, fossa, animais)

Grave: não beber sem ferver ou tratar

Os dois ausentes

Dentro do padrão bacteriológico

Manter o controle de rotina

O que a Portaria 888 exige

O padrão bacteriológico está no Anexo 1 da Portaria 888:

Situação

Parâmetro

Padrão

Poço da casa de uma família (solução individual)

E. coli

Ausência em 100 mL

Poço que abastece outras pessoas (solução coletiva), saída do tratamento

Coliformes totais

Ausência em 100 mL

Solução coletiva, reservatório e torneiras

E. coli

Ausência em 100 mL

Solução coletiva com menos de 20.000 habitantes, reservatório e torneiras

Coliformes totais

Só uma amostra positiva entre as examinadas no mês

Em solução coletiva, pelo art. 27, qualquer resultado positivo para coliformes totais, mesmo em teste preliminar, exige ações corretivas e novas amostras em dias imediatamente seguidos, até o resultado sair satisfatório (§ 1º). A recoleta negativa não apaga o positivo original (§ 4º), e positivo na recoleta não é tolerado (§ 5º). Na dúvida, recoleta (§ 7º).

Mesmo sem E. coli, a água de poço fornecida a outras pessoas precisa de desinfetante (art. 31), com no mínimo 0,2 mg/L de cloro residual livre no reservatório, na rede e nas torneiras (art. 32). Quando o próprio poço tem E. coli, a cloração precisa respeitar tempo de contato e concentração de cloro conforme pH e temperatura (art. 31, § 1º). Por isso a Portaria pede uma amostra mensal antes do ponto de cloração (art. 31, § 5º).

O que fazer nas primeiras 24 horas

Infográfico: o que fazer quando a análise da água do poço dá coliformes ou E. coli, do corte do consumo à nova coleta
  1. Pare de beber a água sem ferver ou tratar. Vale também para gelo e alimentos.

  2. Garanta outra água. Água mineral para beber e cozinhar. Carro-pipa, só com autorização da autoridade de saúde (art. 14, XIX).

  3. Cheque o cloro. Meça o cloro residual livre na torneira mais distante. Abaixo de 0,2 mg/L, algo falhou: dosador parado, produto acabado ou dose baixa. Veja como medir o cloro residual livre todo dia.

  4. Olhe o poço e a caixa d'água. Tampa quebrada, laje rachada, água empoçada na boca do poço, caixa sem tampa ou suja.

  5. Agende a recoleta. A coleta deve ser feita por profissional, em frasco esterilizado, e analisada em laboratório que atenda ao art. 20 da Portaria 888 (boas práticas e sistema de qualidade conforme a ISO/IEC 17025).

  6. Se a água atende outras pessoas, comunique. Avise a Secretaria Municipal da Saúde e os usuários (veja a seção abaixo).

Causas mais comuns de coliformes em poço

Infográfico: causas comuns de coliformes na água de poço, como tampa e laje, fossa próxima, caixa d'água suja e falta de cloro

Poço fundo não é garantia de água limpa. Na maioria dos casos, a contaminação não vem do aquífero: entra por cima ou aparece no caminho até a torneira.

  • Tampa e laje: sem laje ou com tampa mal vedada, entram enxurrada, insetos e pequenos animais.

  • Vedação do poço: falha no selo entre o tubo e a parede do furo deixa a água da superfície descer por fora do tubo.

  • Fossa ou sumidouro perto: a NBR 7229 pede 15 m entre fossa e poço. Veja poço perto de fossa séptica.

  • Reservatório sujo ou aberto: caixa sem tampa, com lodo no fundo, frestas ou sem limpeza há muito tempo.

  • Falta de cloro: dosador desligado, produto vencido ou dose que não chega até a última torneira.

O ponto onde a amostra deu positivo ajuda a achar a causa:

Onde deu positivo

Onde procurar

Água direto do poço, antes do cloro

Tampa, laje, vedação do poço e fossa próxima

Saída do tratamento

Dosador de cloro e dose aplicada

Só na torneira ou no reservatório

Caixa d'água, tubulação e cloro que não chega ao fim da rede

Limpeza e desinfecção do poço e do reservatório

Primeiro corrija a causa. Limpar com a tampa quebrada ou a fossa vazando é jogar o serviço fora: o problema volta.

No poço: retirada de sedimentos, desinfecção com cloro em concentração alta por tempo controlado e bombeamento até eliminar o excesso de cloro. Dose e tempo dependem do volume do poço: é trabalho técnico. Veja métodos de limpeza e desinfecção de poço.

No reservatório: esvaziar, raspar e escovar paredes e fundo, desinfetar, enxaguar e tampar bem. Quem fornece água a outras pessoas precisa manter registro das limpezas de reservatório (art. 14, XVII). Veja limpeza de reservatório e caixa d'água: registro e frequência.

A nova análise: quando e como coletar

A recoleta só faz sentido depois da correção e da desinfecção, com o excesso de cloro da limpeza já eliminado e o cloro de rotina funcionando.

  • Solução coletiva: novas amostras em dias imediatamente seguidos até o resultado sair satisfatório (art. 27, § 1º). Se houver rede interna, a regra pede recoleta no mesmo ponto e mais duas amostras, uma antes e outra depois dele na rede (art. 27, § 2º).

  • Casa de uma família: só volte a beber sem ferver depois de um resultado negativo.

  • Depois do susto: quem fornece água a outras pessoas mantém a rotina do Anexo 15: cloro residual diário e coliformes totais e E. coli mensais.

Para entender o laudo completo, e não só a parte bacteriológica, veja água de poço é potável? o que verificar antes de beber.

Quem fornece água a outras pessoas tem o dever de comunicar

Condomínio, empresa, hotel, escola ou sistema comunitário com poço e sem rede pública é solução alternativa coletiva. Para esse responsável, a Portaria 888 manda:

  • Comunicar imediatamente a autoridade de saúde pública municipal e informar a população abastecida, em linguagem clara e acessível, a situação de risco à saúde e as medidas adotadas (art. 14, XXII).

  • Informar as medidas corretivas à autoridade de saúde sempre que o padrão bacteriológico do Anexo 1 for violado (art. 27, § 6º).

  • Montar um plano de ação em conjunto com a autoridade de saúde quando houver situação de risco, incluindo a comunicação à população (art. 48).

Na prática: aviso no mural, no grupo de moradores ou na recepção, dizendo que a água não deve ser bebida sem ferver, o que está sendo feito e quando sai a nova análise. Guarde cópia do aviso, do protocolo, dos laudos e da limpeza. Veja o que mais a Vigilância cobra em água de poço para consumo coletivo: o que a Vigilância Sanitária exige.

O que acontece se você não agir depois de um resultado positivo

1. Pessoas doentes e a responsabilidade de quem fornece

Água com E. coli pode causar diarreia e vômito, com risco maior para crianças, idosos e pessoas com a imunidade baixa. Se alguém adoecer e o laudo positivo não tiver providência registrada, não há defesa. A Portaria 888 (art. 46) aplica a Lei 6.437/1977 e o Código de Defesa do Consumidor, sem prejuízo das sanções civis e penais.

2. Vigilância Sanitária: multa e interdição

Descumprir norma de proteção da saúde é infração sanitária (Lei 6.437/1977, art. 10, XXIX). As penas vão de advertência a interdição parcial ou total do estabelecimento, cancelamento do alvará e multa: leve de R$ 2 mil a R$ 75 mil, grave de R$ 75 mil a R$ 200 mil e gravíssima de R$ 200 mil a R$ 1,5 milhão, em dobro na reincidência. Veja multa e interdição da Vigilância Sanitária.

3. Outorga em risco

No RS, a outorga com consumo humano costuma exigir, em 120 dias, a autorização da Secretaria da Saúde, que não sai sem água controlada. Perguntamos ao próprio DRHS em setembro de 2026: condicionante não cumprida suspende a outorga, que perde a validade e exige novo cadastro no SIOUT. Se nada for feito, o poço fica irregular, com multa de 250 a 2.500 UPF-RS, e 500 UPF-RS (mais de R$ 14 mil em 2026) para poço não regularizado no prazo (Decreto Estadual 55.374/2020). O roteiro do Ministério Público do RS prevê ainda lacre e tamponamento. Nos outros estados, cada um tem sua tabela. Veja a condicionante de 120 dias da Secretaria da Saúde.

Como a PAAS resolve: PAAS Sentinela

No PAAS Sentinela, a PAAS cuida da água do seu poço de ponta a ponta: investiga a causa do positivo, faz a limpeza e a desinfecção do poço e do reservatório, ajusta a cloração, faz a coleta e as análises e assume responsável técnico, plano de amostragem, autorização na Saúde e relatórios à Vigilância. O HIDROPAAS, sistema de monitoramento criado pela PAAS, mede automaticamente cloro residual, turbidez e pH, entre outros parâmetros exigidos pela Portaria 888, e guarda o histórico que comprova o controle. Ele não detecta bactérias: quem confirma coliformes e E. coli é a análise de laboratório, que ele complementa e não substitui. Mas cloro que zera ou turbidez que sobe mostram que a proteção falhou, e o alerta chega na hora, antes da próxima análise.

Equipe da PAAS Poços Artesianos, com geólogo responsável pela limpeza, desinfecção e controle da água de poços

Perguntas frequentes

Coliformes totais presentes na água de poço é grave?

É um alerta: sem E. coli, não indica contaminação fecal, mas mostra água desprotegida. Em solução coletiva, exige correção e recoleta (art. 27).

Deu E. coli na análise da água: posso ferver e beber?

Ferver é medida de emergência. Não resolve a causa: poço, caixa e rede seguem contaminados até a correção e a desinfecção.

Só colocar cloro na caixa d'água resolve?

Não. Se a contaminação entra pela tampa do poço ou vem de uma fossa, ela volta. Corrija a causa, desinfete e mantenha a cloração contínua.

Quando refazer a análise?

Depois da correção e da desinfecção, com o cloro de rotina funcionando. Em solução coletiva, em dias seguidos até sair satisfatório.

Poço de casa também precisa avisar a Vigilância?

O dever do art. 14 é de quem responde por solução coletiva. Na casa de uma família, o foco é proteger quem bebe: corrigir, desinfetar e analisar de novo.

Fontes

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Deu coliformes ou E. coli na análise do seu poço? Mande o laudo para a PAAS pelo WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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