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O Que É Piezômetro: Para Que Serve, O Que Mede e Como Funciona

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 11 horas
8 min de leitura

O que é piezômetro? É o instrumento instalado no terreno, em aterros ou em barragens para medir a carga de água em um ponto específico. No tipo mais simples, o tubo aberto (Casagrande), a água sobe no tubo até equilibrar a pressão daquele ponto. Da leitura saem o nível d'água, a cota piezométrica e a poropressão.

Capa com o texto “O que é piezômetro e para que serve” sobre a foto: técnico desce uma sonda elétrica de nível dentro de um piezômetro de tubo aberto na crista de uma barragem de terra, com o reservatório ao fundo

Tem piezômetros para ler ou precisa instalar novos? Chame nosso geólogo no WhatsApp e conte o tipo, a quantidade e a estrutura.

O que é um piezômetro e para que serve?

O piezômetro é um instrumento que mostra a pressão da água subterrânea em um ponto escolhido do terreno. Na definição clássica de Freeze & Cherry (cap. 2), é um tubo selado, aberto na base e no topo, cujo nível d'água indica a carga hidráulica no ponto de medição, que é a base do tubo.

Na prática, ele mostra com que pressão a água age sobre o solo naquele ponto. Em barragens, aterros e taludes, esse dado entra na análise de estabilidade; em obras e áreas contaminadas, mostra para onde o nível vai.

Um cuidado com o nome: aqui falamos do instrumento geotécnico. O sensor que mede o nível de um poço de abastecimento às vezes é chamado de transdutor piezométrico, assunto do post sobre transdutor de pressão piezométrico para poço.

O que o piezômetro mede?

O piezômetro mede um nível ou uma pressão; as demais grandezas saem de contas simples. A carga hidráulica é h = z + ψ, a soma da cota do ponto (z) com a carga de pressão (ψ), segundo Freeze & Cherry. A dissertação da UFOP (Cerqueira, 2017) chama a parcela da pressão de carga piezométrica e a parcela da cota de carga altimétrica.

Grandeza

O que representa

Como se obtém

Nível d'água

Profundidade da água no tubo, medida a partir da boca

Sonda elétrica ou sensor de nível

Cota piezométrica

Altitude que a água atinge, referida a um datum

Cota da boca menos a profundidade medida

Poropressão (u)

Pressão da água nos poros do solo, em kPa

γw × altura de água acima do ponto de medição

Parâmetro Ru

Relação entre poropressão e tensão vertical, usada em aterros

Ru = u/(γ·h), calculado a partir de u

A poropressão, também chamada de pressão neutra, é positiva abaixo do nível freático, nula nele e negativa acima, onde vira sucção, conforme a UFOP. O Ru segue a fórmula usada no estudo da UnB sobre o Aterro Sanitário de Brasília (2021), em que γ é o peso específico do resíduo e h, a altura de resíduo acima do ponto.

Infográfico em cards com o que o piezômetro mede: nível d'água por leitura direta e, por cálculo, cota piezométrica, poropressão em kPa e parâmetro Ru

Exemplo ilustrativo. A boca de um piezômetro está na cota 102,50 m e a sonda toca a água a 4,30 m de profundidade. A cota piezométrica é 102,50 − 4,30 = 98,20 m. Se o ponto de medição está na cota 92,00 m, há 6,20 m de água acima dele. Com γw ≈ 9,81 kN/m³, a poropressão é u = 9,81 × 6,20 ≈ 60,8 kPa.

As fórmulas completas estão em carga piezométrica: fórmula e exemplo.

Como funciona o piezômetro de tubo aberto (Casagrande)?

O Casagrande é um tubo com uma câmara de tomada de pressão na ponta. A água entra por ela e sobe no tubo até equilibrar a pressão do ponto. A leitura é feita com uma sonda elétrica presa a um cabo, o "pio", que fecha um circuito ao tocar a água, como descreve o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII, 2016).

O detalhe que faz dele um piezômetro é o isolamento. Segundo a UFOP, o trecho perfurado fica dentro de uma célula de areia, com um selo de bentonita logo acima. Assim, o tubo mede a carga daquele trecho, e não uma mistura de camadas.

O INA (indicador de nível d'água) é diferente: tem ranhuras em quase todo o comprimento, mostra um nível médio e não mede a poropressão de um ponto. A comparação completa está em piezômetro, INA e poço de monitoramento: qual a diferença.

Pontos fortes e limites do tubo aberto, pela UFOP:

  • A favor: é simples, robusto, barato e quase sem manutenção; não precisa de calibração (o medidor de nível precisa) e não tem risco de raio.

  • Contra: mede carga, não poropressão direta; responde muito devagar em material pouco permeável; depende do operador; exige conferir a cota da boca; pode colmatar; e a leitura manual obriga a ir ao campo.

Existem outros tipos: pneumático e elétrico, incluindo o de corda vibrante, que tem tempo de resposta muito rápido segundo a ANA. As diferenças estão em tipos de piezômetro e na comparação piezômetro de corda vibrante x Casagrande.

Técnico conecta cabos de piezômetros a um datalogger dentro de uma caixa de proteção fixada em poste, ao lado da boca de um piezômetro

Onde o piezômetro é usado?

O piezômetro aparece onde a pressão da água afeta uma estrutura ou uma licença. Os usos mais comuns:

Leitura manual ou automática: qual a diferença?

A diferença está em quem registra o dado e com que frequência. A UFOP descreve três formas de aquisição:

  • Manual: sonda de nível no tubo aberto ou leitora portátil ("readout") no piezômetro de corda vibrante.

  • Semiautomática: datalogger no local, que guarda as leituras sem transmitir.

  • Automatizada: datalogger com transmissão e software, com dados em tempo real, alarmes, menos idas a campo e menor perda de dados.

A mesma dissertação lembra que a drenagem interna de barragens, pilhas e aterros pode reagir de forma transitória durante as chuvas. Uma leitura manual espaçada tende a perder esse pico, e por isso a fonte recomenda sensor automático com armazenamento.

Isso não quer dizer que todo piezômetro sobe com a chuva. No Aterro de Brasília, o estudo da UnB não encontrou correlação entre chuva e piezometria; quem variou foi a vazão de chorume. Cada estrutura tem o próprio comportamento.

Gráfico ilustrativo de cota piezométrica ao longo de 28 dias, comparando a leitura contínua, que registra um pico transitório, com a leitura manual semanal, que não o registra

O Casagrande já instalado pode virar automático: a UFOP descreve descer um sensor saturado e calibrado até cerca de 30 cm acima da base. Como o tubo é aberto à atmosfera, a correção barométrica entra na conta. O passo a passo está em automação de piezômetros.

Erros comuns com piezômetros

Alguns erros de campo comprometem anos de leitura:

  • Tratar INA como piezômetro: o nível médio de um tubo quase todo ranhurado não representa a pressão de um ponto.

  • Não amarrar a cota da boca: sem cota referida a um datum e conferida ao longo do tempo, a cota piezométrica perde o sentido.

  • Ler cedo demais em argila: em material pouco permeável, o tubo aberto demora a equalizar, e a leitura logo após a instalação pode não refletir a pressão real.

  • Esquecer a pressão atmosférica: sensor não ventilado dentro do tubo aberto sente a variação barométrica e precisa de correção.

  • Confiar na sonda em aterro com gás: a literatura técnica descreve falso nível de chorume causado por bolhas de biogás no Casagrande, segundo uma monografia que revisa Cepollina et al. (2004).

  • Achar que o instrumento avisa tudo sozinho: em Brumadinho (2019), a barragem tinha piezômetros e nenhum instrumento detectou mudança significativa antes da ruptura, segundo o painel de especialistas. A interpretação continua sendo trabalho do responsável técnico.

Como a PAAS e o HIDROPAAS ajudam

A PAAS trabalha com água subterrânea desde 1985, com geólogo responsável técnico registrado no CREA. Para todo o Brasil, de forma remota, cuidamos da outorga ou autorização de rebaixamento de lençol (laudo, ART e protocolo). Também elaboramos o plano de monitoramento, as leituras, o relatório técnico com ART para o órgão e o levantamento de níveis com mapa potenciométrico. A perfuração e a instalação de piezômetros e poços de monitoramento são feitas só no RS, em SC, no PR e em SP.

O HIDROPAAS transforma o piezômetro em leitura automática e contínua. Ele lê o Casagrande com um sensor de nível hidrostático descido no tubo, o piezômetro de corda vibrante já instalado e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada. Na plataforma (web e app), cada leitura vira nível, poropressão em kPa ou m.c.a., cota piezométrica e Ru, com correção barométrica, mapa da rede, relatório automático e exportação em Excel ou CSV.

Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Os valores de atenção e alerta e a interpretação da estabilidade são do projetista ou responsável técnico; o HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera o relatório, em projeto personalizado para o plano de monitoramento ou a condicionante da licença. Veja o monitoramento de piezômetros em aterro sanitário.

Perguntas frequentes

O que é piezômetro em palavras simples?

É um tubo ou sensor instalado no terreno que mostra até onde a água sobe naquele ponto. Com essa leitura, o técnico calcula a cota piezométrica e a pressão da água nos poros do solo.

Para que serve o piezômetro?

Serve para acompanhar a pressão e o nível da água dentro de barragens, aterros, taludes e escavações. Esses dados entram na análise de estabilidade e no controle de obras com rebaixamento de lençol.

O que o piezômetro mede?

Ele mede um nível d'água ou uma pressão em um ponto. A partir disso se calculam a cota piezométrica, a poropressão em kPa e, em aterros, o parâmetro Ru.

Qual a diferença entre piezômetro e INA?

O INA tem o tubo ranhurado em quase todo o comprimento e mostra um nível médio, que pode misturar camadas. O piezômetro de Casagrande tem um trecho curto de medição, isolado por selo de bentonita, e mede a carga daquele trecho.

Dá para ler o piezômetro de forma automática?

Sim. O Casagrande pode receber um sensor descido no tubo, e o de corda vibrante já gera um sinal que o datalogger registra. A leitura automática permite acompanhar os dados em tempo real e receber alertas.

Quem define o limite de alerta de um piezômetro?

O projetista ou o responsável técnico da estrutura, instrumento por instrumento. Não existe um limite padrão que valha para qualquer barragem ou aterro.

Monitore seus piezômetros com o HIDROPAAS

Se a rede já está instalada, o próximo passo é deixar de depender só da ida a campo. Leia o guia de monitoramento de piezômetros do HIDROPAAS e veja como fazer a leitura de piezômetro e a conversão em cota e poropressão.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Piezômetro é o instrumento que mostra a carga de água em um ponto do terreno e, com as contas certas, a poropressão que pesa na estabilidade. Mande quantos piezômetros você tem, de que tipo e o que a licença pede, que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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