O Que É Piezômetro: Para Que Serve, O Que Mede e Como Funciona

O que é piezômetro? É o instrumento instalado no terreno, em aterros ou em barragens para medir a carga de água em um ponto específico. No tipo mais simples, o tubo aberto (Casagrande), a água sobe no tubo até equilibrar a pressão daquele ponto. Da leitura saem o nível d'água, a cota piezométrica e a poropressão.

Tem piezômetros para ler ou precisa instalar novos? Chame nosso geólogo no WhatsApp e conte o tipo, a quantidade e a estrutura.
O que é um piezômetro e para que serve?
O piezômetro é um instrumento que mostra a pressão da água subterrânea em um ponto escolhido do terreno. Na definição clássica de Freeze & Cherry (cap. 2), é um tubo selado, aberto na base e no topo, cujo nível d'água indica a carga hidráulica no ponto de medição, que é a base do tubo.
Na prática, ele mostra com que pressão a água age sobre o solo naquele ponto. Em barragens, aterros e taludes, esse dado entra na análise de estabilidade; em obras e áreas contaminadas, mostra para onde o nível vai.
Um cuidado com o nome: aqui falamos do instrumento geotécnico. O sensor que mede o nível de um poço de abastecimento às vezes é chamado de transdutor piezométrico, assunto do post sobre transdutor de pressão piezométrico para poço.
O que o piezômetro mede?
O piezômetro mede um nível ou uma pressão; as demais grandezas saem de contas simples. A carga hidráulica é h = z + ψ, a soma da cota do ponto (z) com a carga de pressão (ψ), segundo Freeze & Cherry. A dissertação da UFOP (Cerqueira, 2017) chama a parcela da pressão de carga piezométrica e a parcela da cota de carga altimétrica.
Grandeza | O que representa | Como se obtém |
Nível d'água | Profundidade da água no tubo, medida a partir da boca | Sonda elétrica ou sensor de nível |
Cota piezométrica | Altitude que a água atinge, referida a um datum | Cota da boca menos a profundidade medida |
Poropressão (u) | Pressão da água nos poros do solo, em kPa | γw × altura de água acima do ponto de medição |
Parâmetro Ru | Relação entre poropressão e tensão vertical, usada em aterros | Ru = u/(γ·h), calculado a partir de u |
A poropressão, também chamada de pressão neutra, é positiva abaixo do nível freático, nula nele e negativa acima, onde vira sucção, conforme a UFOP. O Ru segue a fórmula usada no estudo da UnB sobre o Aterro Sanitário de Brasília (2021), em que γ é o peso específico do resíduo e h, a altura de resíduo acima do ponto.

Exemplo ilustrativo. A boca de um piezômetro está na cota 102,50 m e a sonda toca a água a 4,30 m de profundidade. A cota piezométrica é 102,50 − 4,30 = 98,20 m. Se o ponto de medição está na cota 92,00 m, há 6,20 m de água acima dele. Com γw ≈ 9,81 kN/m³, a poropressão é u = 9,81 × 6,20 ≈ 60,8 kPa.
As fórmulas completas estão em carga piezométrica: fórmula e exemplo.
Como funciona o piezômetro de tubo aberto (Casagrande)?
O Casagrande é um tubo com uma câmara de tomada de pressão na ponta. A água entra por ela e sobe no tubo até equilibrar a pressão do ponto. A leitura é feita com uma sonda elétrica presa a um cabo, o "pio", que fecha um circuito ao tocar a água, como descreve o Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII, 2016).
O detalhe que faz dele um piezômetro é o isolamento. Segundo a UFOP, o trecho perfurado fica dentro de uma célula de areia, com um selo de bentonita logo acima. Assim, o tubo mede a carga daquele trecho, e não uma mistura de camadas.
O INA (indicador de nível d'água) é diferente: tem ranhuras em quase todo o comprimento, mostra um nível médio e não mede a poropressão de um ponto. A comparação completa está em piezômetro, INA e poço de monitoramento: qual a diferença.
Pontos fortes e limites do tubo aberto, pela UFOP:
A favor: é simples, robusto, barato e quase sem manutenção; não precisa de calibração (o medidor de nível precisa) e não tem risco de raio.
Contra: mede carga, não poropressão direta; responde muito devagar em material pouco permeável; depende do operador; exige conferir a cota da boca; pode colmatar; e a leitura manual obriga a ir ao campo.
Existem outros tipos: pneumático e elétrico, incluindo o de corda vibrante, que tem tempo de resposta muito rápido segundo a ANA. As diferenças estão em tipos de piezômetro e na comparação piezômetro de corda vibrante x Casagrande.

Onde o piezômetro é usado?
O piezômetro aparece onde a pressão da água afeta uma estrutura ou uma licença. Os usos mais comuns:
Aterro sanitário: no maciço, acompanha as poropressões internas e ajuda a avaliar a estabilidade; camadas de cobertura pouco permeáveis podem criar bolsões de líquido, segundo Catapreta e Simões (IBEAS, 2016). Veja piezômetros em aterro sanitário.
Barragem de água: piezômetros de tubo aberto, pneumáticos e elétricos são comuns em barragens de aterro, conforme a ANA. A Lei 12.334/2010 (art. 8º, XII) inclui os equipamentos de monitoramento no Plano de Segurança da Barragem. Veja piezômetros em barragem.
Barragem de mineração: hoje, pela Res. ANM 95/2022 (vigente até 1º/08/2027), barragem com DPA (dano potencial associado) alto precisa de monitoramento automatizado da instrumentação. A partir de 02/08/2027, pela Res. ANM 220/2025, o critério passa a ser DPA2 ≥ 4, ligado ao potencial de perda de vidas. Veja monitoramento automatizado de barragem de mineração.
Obra com rebaixamento de lençol: em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 (art. 24) define que os dispositivos de monitoramento do rebaixamento vêm no ato de outorga. Veja rebaixamento de lençol freático em obra.
Área contaminada: o ponto de medição costuma ser o poço de monitoramento. Em São Paulo, a DD 038/2017/C da CETESB pede mapa potenciométrico por campanha de amostragem no monitoramento preventivo. Veja medidor de nível para poço de monitoramento.
Leitura manual ou automática: qual a diferença?
A diferença está em quem registra o dado e com que frequência. A UFOP descreve três formas de aquisição:
Manual: sonda de nível no tubo aberto ou leitora portátil ("readout") no piezômetro de corda vibrante.
Semiautomática: datalogger no local, que guarda as leituras sem transmitir.
Automatizada: datalogger com transmissão e software, com dados em tempo real, alarmes, menos idas a campo e menor perda de dados.
A mesma dissertação lembra que a drenagem interna de barragens, pilhas e aterros pode reagir de forma transitória durante as chuvas. Uma leitura manual espaçada tende a perder esse pico, e por isso a fonte recomenda sensor automático com armazenamento.
Isso não quer dizer que todo piezômetro sobe com a chuva. No Aterro de Brasília, o estudo da UnB não encontrou correlação entre chuva e piezometria; quem variou foi a vazão de chorume. Cada estrutura tem o próprio comportamento.

O Casagrande já instalado pode virar automático: a UFOP descreve descer um sensor saturado e calibrado até cerca de 30 cm acima da base. Como o tubo é aberto à atmosfera, a correção barométrica entra na conta. O passo a passo está em automação de piezômetros.
Erros comuns com piezômetros
Alguns erros de campo comprometem anos de leitura:
Tratar INA como piezômetro: o nível médio de um tubo quase todo ranhurado não representa a pressão de um ponto.
Não amarrar a cota da boca: sem cota referida a um datum e conferida ao longo do tempo, a cota piezométrica perde o sentido.
Ler cedo demais em argila: em material pouco permeável, o tubo aberto demora a equalizar, e a leitura logo após a instalação pode não refletir a pressão real.
Esquecer a pressão atmosférica: sensor não ventilado dentro do tubo aberto sente a variação barométrica e precisa de correção.
Confiar na sonda em aterro com gás: a literatura técnica descreve falso nível de chorume causado por bolhas de biogás no Casagrande, segundo uma monografia que revisa Cepollina et al. (2004).
Achar que o instrumento avisa tudo sozinho: em Brumadinho (2019), a barragem tinha piezômetros e nenhum instrumento detectou mudança significativa antes da ruptura, segundo o painel de especialistas. A interpretação continua sendo trabalho do responsável técnico.
Como a PAAS e o HIDROPAAS ajudam
A PAAS trabalha com água subterrânea desde 1985, com geólogo responsável técnico registrado no CREA. Para todo o Brasil, de forma remota, cuidamos da outorga ou autorização de rebaixamento de lençol (laudo, ART e protocolo). Também elaboramos o plano de monitoramento, as leituras, o relatório técnico com ART para o órgão e o levantamento de níveis com mapa potenciométrico. A perfuração e a instalação de piezômetros e poços de monitoramento são feitas só no RS, em SC, no PR e em SP.
O HIDROPAAS transforma o piezômetro em leitura automática e contínua. Ele lê o Casagrande com um sensor de nível hidrostático descido no tubo, o piezômetro de corda vibrante já instalado e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada. Na plataforma (web e app), cada leitura vira nível, poropressão em kPa ou m.c.a., cota piezométrica e Ru, com correção barométrica, mapa da rede, relatório automático e exportação em Excel ou CSV.
Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Os valores de atenção e alerta e a interpretação da estabilidade são do projetista ou responsável técnico; o HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera o relatório, em projeto personalizado para o plano de monitoramento ou a condicionante da licença. Veja o monitoramento de piezômetros em aterro sanitário.
Perguntas frequentes
O que é piezômetro em palavras simples?
É um tubo ou sensor instalado no terreno que mostra até onde a água sobe naquele ponto. Com essa leitura, o técnico calcula a cota piezométrica e a pressão da água nos poros do solo.
Para que serve o piezômetro?
Serve para acompanhar a pressão e o nível da água dentro de barragens, aterros, taludes e escavações. Esses dados entram na análise de estabilidade e no controle de obras com rebaixamento de lençol.
O que o piezômetro mede?
Ele mede um nível d'água ou uma pressão em um ponto. A partir disso se calculam a cota piezométrica, a poropressão em kPa e, em aterros, o parâmetro Ru.
Qual a diferença entre piezômetro e INA?
O INA tem o tubo ranhurado em quase todo o comprimento e mostra um nível médio, que pode misturar camadas. O piezômetro de Casagrande tem um trecho curto de medição, isolado por selo de bentonita, e mede a carga daquele trecho.
Dá para ler o piezômetro de forma automática?
Sim. O Casagrande pode receber um sensor descido no tubo, e o de corda vibrante já gera um sinal que o datalogger registra. A leitura automática permite acompanhar os dados em tempo real e receber alertas.
Quem define o limite de alerta de um piezômetro?
O projetista ou o responsável técnico da estrutura, instrumento por instrumento. Não existe um limite padrão que valha para qualquer barragem ou aterro.
Monitore seus piezômetros com o HIDROPAAS
Se a rede já está instalada, o próximo passo é deixar de depender só da ida a campo. Leia o guia de monitoramento de piezômetros do HIDROPAAS e veja como fazer a leitura de piezômetro e a conversão em cota e poropressão.
Veja também
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Piezômetro é o instrumento que mostra a carga de água em um ponto do terreno e, com as contas certas, a poropressão que pesa na estabilidade. Mande quantos piezômetros você tem, de que tipo e o que a licença pede, que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.




Comentários