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Plano de Monitoramento de Aterro Sanitário: Águas Subterrâneas e Geotecnia

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 10 horas
8 min de leitura

O plano de monitoramento de aterro sanitário tem duas frentes centrais: poços de monitoramento no entorno, para a água subterrânea, e piezômetros no maciço, para o nível de chorume e a poropressão. O que medir, quantos pontos e com que frequência vem da regra do estado e da licença, como a DN COPAM 244/2022 em Minas Gerais.

Capa com o texto “Plano de monitoramento do aterro” sobre a foto: técnico de capacete e colete anota dados num tablet ao lado de um piezômetro protegido por caixa, no talude em bermas de um aterro sanitário

Tem condicionante de monitoramento na licença do aterro? Fale com o nosso geólogo no WhatsApp e veja como montar o plano.

O que é um plano de monitoramento de aterro sanitário?

É o documento que define o que medir no aterro, onde, com que frequência e como relatar ao órgão ambiental. Em geral, ele cobre água subterrânea, águas superficiais, chorume, gases e a estabilidade do maciço.

Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 (art. 3º, IX) lista entre os itens mínimos o monitoramento geotécnico estrutural, a água subterrânea, as águas superficiais a montante e a jusante e o sistema de gases e chorume.

Na parte geotécnica, uma monografia sobre aterros descreve como instrumentação típica os marcos superficiais, os piezômetros, os inclinômetros nos diques e as inspeções visuais. Os poços olham a água subterrânea do entorno; os piezômetros olham o líquido acumulado no lixo. A diferença entre os instrumentos está no guia piezômetro, INA e poço de monitoramento.

O que MG, SC e SP pedem no monitoramento do aterro?

Cada estado tem a sua regra, e a licença de cada aterro pode detalhar mais. A tabela resume o que as fontes oficiais mostram para Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.

Estado

Água subterrânea

Geotecnia do maciço

MG (DN COPAM 244/2022)

No mínimo 4 poços: 1 a montante e 3 a jusante, no fluxo preferencial

Monitoramento geotécnico estrutural

SC (IN 02 do IMA, out/2025)

Mínimo de 5, 8 ou 12 poços (aterro pequeno, médio ou grande), a no máximo 30 m da disposição; campanha semestral sugerida

Plano de monitoramento geotécnico de recalque, erosões e estabilidade

SP (licença da CETESB de 2020)

Diretrizes da CETESB para água subterrânea em aterros sanitários (set/2019)

Relatório geotécnico mensal no local e relatório anual consolidado e interpretado

As regras de SC estão na IN 02 do IMA, e as de SP, numa licença de operação da CETESB de 2020. A regra dos 4 poços também é atribuída à NBR 13896:1997 por fontes secundárias, porque o texto da ABNT não é público.

No RS, a Diretriz Técnica 04/2021 da FEPAM, que trata de poços de monitoramento no licenciamento em geral, pede no mínimo 3 poços, a montante e a jusante.

Não existe frequência de leitura de piezômetro fixada em norma nacional para aterro: ela vem da licença e do projeto. Como referência real, um aterro de Belo Horizonte leu os piezômetros primeiro toda semana e depois a cada quinze dias, segundo trabalho apresentado no IBEAS em 2016.

Quatro cards com os itens mínimos do monitoramento de aterro sanitário na DN COPAM 244/2022 de Minas Gerais: água subterrânea com 4 poços, geotecnia do maciço, águas superficiais e gases e chorume

Como ficam os poços de monitoramento no entorno do aterro?

Os poços de monitoramento servem para amostrar a água subterrânea e medir o nível no entorno. Os de montante mostram a água que chega ao aterro; os de jusante mostram se algo do aterro chegou até ela.

Para saber o que é montante e jusante, é preciso conhecer o sentido do fluxo. Isso sai do levantamento de níveis e do mapa potenciométrico.

A construção segue a NBR 15495-1, cujo texto a ABNT não abre ao público. A DT 04/2021 da FEPAM manda registrar diâmetros, cota ortométrica e altura da boca, filtro, pré-filtro, selo de bentonita e proteção. Detalhes no post poço de monitoramento: o que é e como é construído.

A outorga muda por estado. Em SP, a Portaria DAEE 1.630/2017 dispensa de outorga e de cadastro o poço de monitoramento. Em MG, a Portaria IGAM 48/2019 dispensa a outorga, mas exige cadastro. Veja os outros estados em poço de monitoramento precisa de outorga?

Entre uma campanha e outra, o poço pode receber um sensor de nível contínuo, como mostra o guia do medidor de nível para poço de monitoramento.

Engenheira acompanha num monitor os gráficos e o mapa dos piezômetros de um aterro sanitário, com o maciço visível pela janela

O que os piezômetros do maciço medem no aterro?

Os piezômetros do maciço medem o nível do líquido (chorume e água) dentro do lixo. Desse nível saem a poropressão e o parâmetro Ru, que o projetista usa para acompanhar a estabilidade.

Segundo Catapreta e Simões (IBEAS, 2016), as camadas de cobertura diária, pouco permeáveis, podem criar bolsões suspensos de líquido. Por isso, a posição de cada piezômetro importa.

A poropressão pesa por causa da tensão efetiva, σ' = σ − u, pelo princípio de Terzaghi. Quando a pressão do líquido (u) sobe, a tensão efetiva cai, e a resistência ao cisalhamento cai junto. O conceito está no post sobre pressão neutra e tensão efetiva e no guia de poropressão do HIDROPAAS.

O Ru compara a poropressão com o peso do lixo acima do ponto: Ru = u/(γ·h), com γ o peso específico do resíduo e h a altura de lixo acima do ponto medido, como no estudo da UnB sobre o Aterro de Brasília (2021).

Exemplo ilustrativo (números inventados só para mostrar a conta):

  1. A boca do piezômetro está na cota 850,50 m, e a sonda encontra o líquido a 12,50 m da boca. Cota piezométrica: 850,50 − 12,50 = 838,00 m.

  2. O ponto medido fica 20 m abaixo da superfície do maciço, que está na cota 850,00 m. Cota do ponto: 830,00 m.

  3. Coluna de líquido acima do ponto: 838,00 − 830,00 = 8,00 m. Poropressão: u = 9,81 × 8,00 = 78,48 kPa.

  4. Com γ = 10 kN/m³ (valor adotado só no exemplo) e h = 20 m, a tensão vertical é 10 × 20 = 200 kPa.

  5. Ru = 78,48 ÷ 200 ≈ 0,39.

Esse 0,39 não diz nada sozinho. Não existe Ru “padrão” de alerta: a UnB montou uma carta de risco com faixas de Ru, mas elas valem só para aquele aterro e aqueles parâmetros. Os limites do seu aterro são definidos pelo projetista ou responsável técnico. Veja como eles viram alerta em níveis de controle de piezômetros.

Como montar o plano de monitoramento do aterro?

O plano começa pela licença e termina no relatório que o órgão vai ler. Em linhas gerais, o caminho é este:

  1. Ler a licença e a regra do estado: condicionantes, número mínimo de poços, frequência e formato dos relatórios.

  2. Levantar os níveis d'água: o mapa potenciométrico mostra o fluxo e onde ficam montante e jusante.

  3. Definir os pontos: poços no entorno e piezômetros no maciço, estes com o projetista geotécnico.

  4. Instalar e amarrar as cotas: a cota da boca de cada ponto é registrada e amarrada a um datum (UFOP, 2017).

  5. Combinar frequência e limites: o responsável técnico define os níveis de atenção e alerta de cada piezômetro.

  6. Ler, interpretar e relatar: relatório técnico com ART, na periodicidade que a licença pede.

Fluxo em cinco etapas para montar o plano de monitoramento de aterro sanitário: licença e regra estadual, níveis e fluxo, pontos e instalação, limites do projetista e leitura com relatório

A drenagem interna de aterros atua de forma transitória nas chuvas, o que dificulta a leitura manual, e a UFOP recomenda sensor automático com armazenamento. Mas chuva não sobe o piezômetro em todo aterro: no de Brasília, a UnB não achou correlação entre chuva e piezometria.

Quais são os erros comuns no monitoramento de aterro?

  • Confiar na sonda sem pensar no gás: o biogás pode borbulhar no tubo aberto e gerar um falso nível de chorume. A literatura descreve o problema (em fonte secundária).

  • Esquecer o gás no projeto: há piezômetros de dois tubos concêntricos, um para a pressão do lixiviado e outro para a do biogás (IBEAS, 2016).

  • Copiar limites de outro aterro: faixas de Ru publicadas valem para o aterro estudado.

  • Não conferir a cota da boca: se a boca se mexe e ninguém confere, a cota piezométrica sai errada.

  • Relatório sem interpretação: tabela de leituras não é o relatório “consolidado e interpretado” que a licença da CETESB de 2020 pediu.

Como a PAAS e o HIDROPAAS ajudam

A PAAS trabalha com água subterrânea desde 1985, com o geólogo Chert Bobsin (CREA-RS) como responsável técnico. No aterro, fazemos o plano de monitoramento, as leituras e o relatório técnico com ART, além do levantamento de níveis e do mapa potenciométrico. A perfuração e a instalação de poços de monitoramento e piezômetros são feitas só no RS, SC, PR e SP.

O HIDROPAAS entra na medição automática. Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. O sistema lê o Casagrande (com sensor descido no tubo), o de corda vibrante já instalado e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada.

A plataforma faz a correção barométrica, mostra a rede no mapa, avisa quando um valor passa do limite e gera relatório com exportação em Excel ou CSV. Os níveis de alerta e a interpretação são do projetista ou responsável técnico: o HIDROPAAS mede, calcula e avisa, em projeto personalizado para a condicionante da licença. Veja o guia de piezômetros em aterro sanitário.

Perguntas frequentes

O que deve ter um plano de monitoramento de aterro sanitário?

Em geral, água subterrânea, águas superficiais, chorume, gases e monitoramento geotécnico do maciço. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 lista esses itens entre os mínimos. Nos outros estados, a lista vem da norma estadual e da licença.

Quantos poços de monitoramento um aterro sanitário precisa?

Depende do estado. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 pede no mínimo 4 poços, 1 a montante e 3 a jusante. Em Santa Catarina, a IN 02 do IMA pede no mínimo 5, 8 ou 12 poços, conforme o porte do aterro.

Com que frequência os piezômetros do aterro devem ser lidos?

Não há frequência fixada em norma nacional; ela vem da licença e do projeto. Numa licença da CETESB de 2020, o aterro deve manter relatórios geotécnicos mensais e um relatório anual.

Existe um valor limite de Ru para aterro sanitário?

Não existe limite padrão. Os níveis de atenção e alerta são definidos pelo projetista ou responsável técnico de cada aterro. Faixas publicadas, como a do Aterro de Brasília, valem só para o aterro estudado.

Poço de monitoramento do aterro precisa de outorga?

Depende do estado. Em SP, a Portaria DAEE 1.630/2017 dispensa de outorga e de cadastro o poço de monitoramento. Em MG, há dispensa de outorga, com cadastro no IGAM.

A PAAS instala poços e piezômetros em qualquer estado?

Não. A perfuração e a instalação de poços de monitoramento e piezômetros pela PAAS são feitas só no RS, SC, PR e SP. Nos outros estados, fale com a equipe para ver o que cabe no seu caso.

Monitore seus piezômetros com o HIDROPAAS

Se a leitura dos piezômetros do aterro ainda depende da sonda, dá para passar a medir de forma contínua, em geral sem perfurar de novo. Veja o guia de monitoramento de piezômetros do HIDROPAAS e a automação de piezômetros já instalados.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

O plano de monitoramento do aterro junta poços no entorno e piezômetros no maciço, conforme a regra do estado e a licença. Mande quantos poços e piezômetros o aterro tem, de que tipo e o que a licença pede que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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