Plano de Monitoramento de Aterro Sanitário: Águas Subterrâneas e Geotecnia

O plano de monitoramento de aterro sanitário tem duas frentes centrais: poços de monitoramento no entorno, para a água subterrânea, e piezômetros no maciço, para o nível de chorume e a poropressão. O que medir, quantos pontos e com que frequência vem da regra do estado e da licença, como a DN COPAM 244/2022 em Minas Gerais.

Tem condicionante de monitoramento na licença do aterro? Fale com o nosso geólogo no WhatsApp e veja como montar o plano.
O que é um plano de monitoramento de aterro sanitário?
É o documento que define o que medir no aterro, onde, com que frequência e como relatar ao órgão ambiental. Em geral, ele cobre água subterrânea, águas superficiais, chorume, gases e a estabilidade do maciço.
Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 (art. 3º, IX) lista entre os itens mínimos o monitoramento geotécnico estrutural, a água subterrânea, as águas superficiais a montante e a jusante e o sistema de gases e chorume.
Na parte geotécnica, uma monografia sobre aterros descreve como instrumentação típica os marcos superficiais, os piezômetros, os inclinômetros nos diques e as inspeções visuais. Os poços olham a água subterrânea do entorno; os piezômetros olham o líquido acumulado no lixo. A diferença entre os instrumentos está no guia piezômetro, INA e poço de monitoramento.
O que MG, SC e SP pedem no monitoramento do aterro?
Cada estado tem a sua regra, e a licença de cada aterro pode detalhar mais. A tabela resume o que as fontes oficiais mostram para Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.
Estado | Água subterrânea | Geotecnia do maciço |
MG (DN COPAM 244/2022) | No mínimo 4 poços: 1 a montante e 3 a jusante, no fluxo preferencial | Monitoramento geotécnico estrutural |
SC (IN 02 do IMA, out/2025) | Mínimo de 5, 8 ou 12 poços (aterro pequeno, médio ou grande), a no máximo 30 m da disposição; campanha semestral sugerida | Plano de monitoramento geotécnico de recalque, erosões e estabilidade |
SP (licença da CETESB de 2020) | Diretrizes da CETESB para água subterrânea em aterros sanitários (set/2019) | Relatório geotécnico mensal no local e relatório anual consolidado e interpretado |
As regras de SC estão na IN 02 do IMA, e as de SP, numa licença de operação da CETESB de 2020. A regra dos 4 poços também é atribuída à NBR 13896:1997 por fontes secundárias, porque o texto da ABNT não é público.
No RS, a Diretriz Técnica 04/2021 da FEPAM, que trata de poços de monitoramento no licenciamento em geral, pede no mínimo 3 poços, a montante e a jusante.
Não existe frequência de leitura de piezômetro fixada em norma nacional para aterro: ela vem da licença e do projeto. Como referência real, um aterro de Belo Horizonte leu os piezômetros primeiro toda semana e depois a cada quinze dias, segundo trabalho apresentado no IBEAS em 2016.

Como ficam os poços de monitoramento no entorno do aterro?
Os poços de monitoramento servem para amostrar a água subterrânea e medir o nível no entorno. Os de montante mostram a água que chega ao aterro; os de jusante mostram se algo do aterro chegou até ela.
Para saber o que é montante e jusante, é preciso conhecer o sentido do fluxo. Isso sai do levantamento de níveis e do mapa potenciométrico.
A construção segue a NBR 15495-1, cujo texto a ABNT não abre ao público. A DT 04/2021 da FEPAM manda registrar diâmetros, cota ortométrica e altura da boca, filtro, pré-filtro, selo de bentonita e proteção. Detalhes no post poço de monitoramento: o que é e como é construído.
A outorga muda por estado. Em SP, a Portaria DAEE 1.630/2017 dispensa de outorga e de cadastro o poço de monitoramento. Em MG, a Portaria IGAM 48/2019 dispensa a outorga, mas exige cadastro. Veja os outros estados em poço de monitoramento precisa de outorga?
Entre uma campanha e outra, o poço pode receber um sensor de nível contínuo, como mostra o guia do medidor de nível para poço de monitoramento.

O que os piezômetros do maciço medem no aterro?
Os piezômetros do maciço medem o nível do líquido (chorume e água) dentro do lixo. Desse nível saem a poropressão e o parâmetro Ru, que o projetista usa para acompanhar a estabilidade.
Segundo Catapreta e Simões (IBEAS, 2016), as camadas de cobertura diária, pouco permeáveis, podem criar bolsões suspensos de líquido. Por isso, a posição de cada piezômetro importa.
A poropressão pesa por causa da tensão efetiva, σ' = σ − u, pelo princípio de Terzaghi. Quando a pressão do líquido (u) sobe, a tensão efetiva cai, e a resistência ao cisalhamento cai junto. O conceito está no post sobre pressão neutra e tensão efetiva e no guia de poropressão do HIDROPAAS.
O Ru compara a poropressão com o peso do lixo acima do ponto: Ru = u/(γ·h), com γ o peso específico do resíduo e h a altura de lixo acima do ponto medido, como no estudo da UnB sobre o Aterro de Brasília (2021).
Exemplo ilustrativo (números inventados só para mostrar a conta):
A boca do piezômetro está na cota 850,50 m, e a sonda encontra o líquido a 12,50 m da boca. Cota piezométrica: 850,50 − 12,50 = 838,00 m.
O ponto medido fica 20 m abaixo da superfície do maciço, que está na cota 850,00 m. Cota do ponto: 830,00 m.
Coluna de líquido acima do ponto: 838,00 − 830,00 = 8,00 m. Poropressão: u = 9,81 × 8,00 = 78,48 kPa.
Com γ = 10 kN/m³ (valor adotado só no exemplo) e h = 20 m, a tensão vertical é 10 × 20 = 200 kPa.
Ru = 78,48 ÷ 200 ≈ 0,39.
Esse 0,39 não diz nada sozinho. Não existe Ru “padrão” de alerta: a UnB montou uma carta de risco com faixas de Ru, mas elas valem só para aquele aterro e aqueles parâmetros. Os limites do seu aterro são definidos pelo projetista ou responsável técnico. Veja como eles viram alerta em níveis de controle de piezômetros.
Como montar o plano de monitoramento do aterro?
O plano começa pela licença e termina no relatório que o órgão vai ler. Em linhas gerais, o caminho é este:
Ler a licença e a regra do estado: condicionantes, número mínimo de poços, frequência e formato dos relatórios.
Levantar os níveis d'água: o mapa potenciométrico mostra o fluxo e onde ficam montante e jusante.
Definir os pontos: poços no entorno e piezômetros no maciço, estes com o projetista geotécnico.
Instalar e amarrar as cotas: a cota da boca de cada ponto é registrada e amarrada a um datum (UFOP, 2017).
Combinar frequência e limites: o responsável técnico define os níveis de atenção e alerta de cada piezômetro.
Ler, interpretar e relatar: relatório técnico com ART, na periodicidade que a licença pede.

A drenagem interna de aterros atua de forma transitória nas chuvas, o que dificulta a leitura manual, e a UFOP recomenda sensor automático com armazenamento. Mas chuva não sobe o piezômetro em todo aterro: no de Brasília, a UnB não achou correlação entre chuva e piezometria.
Quais são os erros comuns no monitoramento de aterro?
Confiar na sonda sem pensar no gás: o biogás pode borbulhar no tubo aberto e gerar um falso nível de chorume. A literatura descreve o problema (em fonte secundária).
Esquecer o gás no projeto: há piezômetros de dois tubos concêntricos, um para a pressão do lixiviado e outro para a do biogás (IBEAS, 2016).
Copiar limites de outro aterro: faixas de Ru publicadas valem para o aterro estudado.
Não conferir a cota da boca: se a boca se mexe e ninguém confere, a cota piezométrica sai errada.
Relatório sem interpretação: tabela de leituras não é o relatório “consolidado e interpretado” que a licença da CETESB de 2020 pediu.
Como a PAAS e o HIDROPAAS ajudam
A PAAS trabalha com água subterrânea desde 1985, com o geólogo Chert Bobsin (CREA-RS) como responsável técnico. No aterro, fazemos o plano de monitoramento, as leituras e o relatório técnico com ART, além do levantamento de níveis e do mapa potenciométrico. A perfuração e a instalação de poços de monitoramento e piezômetros são feitas só no RS, SC, PR e SP.
O HIDROPAAS entra na medição automática. Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. O sistema lê o Casagrande (com sensor descido no tubo), o de corda vibrante já instalado e transdutores 4-20 mA ou RS485, com o sensor ou a interface adequada.
A plataforma faz a correção barométrica, mostra a rede no mapa, avisa quando um valor passa do limite e gera relatório com exportação em Excel ou CSV. Os níveis de alerta e a interpretação são do projetista ou responsável técnico: o HIDROPAAS mede, calcula e avisa, em projeto personalizado para a condicionante da licença. Veja o guia de piezômetros em aterro sanitário.
Perguntas frequentes
O que deve ter um plano de monitoramento de aterro sanitário?
Em geral, água subterrânea, águas superficiais, chorume, gases e monitoramento geotécnico do maciço. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 lista esses itens entre os mínimos. Nos outros estados, a lista vem da norma estadual e da licença.
Quantos poços de monitoramento um aterro sanitário precisa?
Depende do estado. Em Minas Gerais, a DN COPAM 244/2022 pede no mínimo 4 poços, 1 a montante e 3 a jusante. Em Santa Catarina, a IN 02 do IMA pede no mínimo 5, 8 ou 12 poços, conforme o porte do aterro.
Com que frequência os piezômetros do aterro devem ser lidos?
Não há frequência fixada em norma nacional; ela vem da licença e do projeto. Numa licença da CETESB de 2020, o aterro deve manter relatórios geotécnicos mensais e um relatório anual.
Existe um valor limite de Ru para aterro sanitário?
Não existe limite padrão. Os níveis de atenção e alerta são definidos pelo projetista ou responsável técnico de cada aterro. Faixas publicadas, como a do Aterro de Brasília, valem só para o aterro estudado.
Poço de monitoramento do aterro precisa de outorga?
Depende do estado. Em SP, a Portaria DAEE 1.630/2017 dispensa de outorga e de cadastro o poço de monitoramento. Em MG, há dispensa de outorga, com cadastro no IGAM.
A PAAS instala poços e piezômetros em qualquer estado?
Não. A perfuração e a instalação de poços de monitoramento e piezômetros pela PAAS são feitas só no RS, SC, PR e SP. Nos outros estados, fale com a equipe para ver o que cabe no seu caso.
Monitore seus piezômetros com o HIDROPAAS
Se a leitura dos piezômetros do aterro ainda depende da sonda, dá para passar a medir de forma contínua, em geral sem perfurar de novo. Veja o guia de monitoramento de piezômetros do HIDROPAAS e a automação de piezômetros já instalados.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
O plano de monitoramento do aterro junta poços no entorno e piezômetros no maciço, conforme a regra do estado e a licença. Mande quantos poços e piezômetros o aterro tem, de que tipo e o que a licença pede que montamos o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.




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