Poço de Monitoramento: O Que É, NBR 15495 e Como é Construído

Poço de monitoramento é uma obra feita para acompanhar a qualidade e o nível da água subterrânea, e não para abastecer. Nele se coletam amostras e se mede a profundidade do lençol. Em aquífero granular, o projeto e a construção seguem a NBR 15495-1:2007, com tubo-filtro, pré-filtro, selo de bentonita e proteção da boca.

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O que é um poço de monitoramento e para que serve?
O poço de monitoramento serve para duas coisas: coletar amostras de água para análise e medir o nível d'água ao longo do tempo. O manual do SIOUT RS o define como “obra de hidrogeologia para monitoramento quali-quantitativo dos aquíferos, executada conforme a norma 15.495 da ABNT”.
Quali-quantitativo quer dizer qualidade (o que está dissolvido na água) e quantidade (quanto o nível sobe ou desce). Ele é comum em aterros, indústrias, postos de combustível e áreas contaminadas.
Ele não é poço de captação. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 (art. 50) proíbe que o poço de um programa de monitoramento capte água ou tenha outro uso, salvo se passar a integrar um sistema de remediação, e aí com outorga. Se a sua dúvida é a regularização, veja se o poço de monitoramento precisa de outorga no seu estado.
Quais são as partes de um poço de monitoramento pela NBR 15495?
Um aviso antes: o texto da NBR 15495-1:2007 (versão corrigida em 2009) é vendido pela ABNT e não foi aberto para este artigo. O que segue é o que fontes públicas descrevem, em especial a Diretriz Técnica 04/2021 da FEPAM, órgão ambiental do RS, que remete à norma.
Pela FEPAM, o relatório de construção deve registrar cada componente, além do diâmetro do furo e dos tubos. A tabela resume o papel de cada um.
Componente | O que é | Para que serve |
Revestimento | Tubo que liga a superfície ao trecho filtrante | Dar acesso ao filtro; o material vai no relatório |
Tubo-filtro | Tubo ranhurado com aberturas uniformes | Reter o pré-filtro e deixar a água entrar |
Pré-filtro | Areia quartzosa (ou com cascalho) limpa e de granulometria selecionada, no espaço anular | Reter a formação sem restringir o fluxo |
Selo anular de bentonita | Camada de bentonita acima do pré-filtro | Isolar o trecho filtrante do que está acima |
Calda de preenchimento | Material que fecha o espaço anular acima do selo | Completar o furo até a superfície |
Proteção e boca do tubo | Revestimento de proteção, com cota ortométrica e altura da boca registradas | Proteger o poço e servir de referência para medir o nível |
A abertura das ranhuras depende da granulometria da formação e do pré-filtro. Os valores estão no item 5.3.2 da NBR 15495-1, que a FEPAM cita sem transcrever.
No RS, a FEPAM também fixa regras numéricas no licenciamento. Em outros estados, confira o órgão ambiental local, porque estas são exigências da FEPAM:
espaço anular mínimo de 5 cm (2");
evitar tubo-filtro com mais de 3 m;
filtro e pré-filtro nunca em mais de uma unidade hidroestratigráfica (camada com comportamento hidráulico próprio);
pré-filtro pelo menos 600 mm acima das ranhuras, salvo justificativa;
no mínimo 3 poços, a montante e a jusante, e 3 sondagens na caracterização;
cota em SIRGAS2000 e datum Imbituba, amarrada a RN (referência de nível) do IBGE.

Como é construído um poço de monitoramento?
A construção segue o projeto, em etapas que a FEPAM pede para registrar no relatório. Montante e jusante são as posições antes e depois da área estudada, no sentido do fluxo da água subterrânea.
Caracterização: sondagens para conhecer o perfil, depois seladas com material compatível (com bentonita onde há risco de contaminação superficial).
Perfuração: no diâmetro de projeto, registrando os fluidos usados.
Revestimento e filtro: tubo-filtro posicionado numa única unidade hidroestratigráfica.
Pré-filtro: lançado no espaço anular, estendendo-se acima das ranhuras.
Selo, preenchimento e proteção: bentonita, calda e revestimento de proteção da boca.
Desenvolvimento: o preliminar, logo após o pré-filtro, corrige danos da perfuração, tira finos e assenta o pré-filtro. O final bombeia até a água sair “visivelmente límpida” ou com turbidez “da ordem de 5 NTU”.
Cota e ensaio: nivelar a boca e medir a condutividade hidráulica em todos os poços (slug test, bail test ou outro método reconhecido). Com K acima de 1×10⁻³ cm/s, a FEPAM exige transdutor de pressão no ensaio.
Slug test é o ensaio que muda o nível de forma rápida e mede a velocidade da volta. Se o seu caso é um piezômetro, veja como instalar um piezômetro de tubo aberto.

O que é poço de monitoramento afogado e poço seco?
Poço afogado é aquele “cujo nível d'água inicial está acima do topo da seção filtrante”, na definição da FEPAM (item 6.4). No poço de filtro não afogado, com seção filtrante plena, o nível fica dentro do trecho filtrante.
Exemplo ilustrativo: o filtro vai de 4,0 m a 7,0 m de profundidade. Se o nível inicial está a 2,5 m, fica 1,5 m acima do topo do filtro (4,0 − 2,5 = 1,5 m), e o poço é afogado. Se o nível está a 5,2 m, fica dentro do filtro, e o poço é não afogado.
A diferença muda a purga, que é a retirada de água antes da coleta. A FEPAM não aceita rebaixar mais de 25 cm do nível inicial em poço de filtro não afogado, nem abaixo de 25 cm do topo do filtro em poço afogado. Também não aceita purgar até esgotar o poço.
“Poço seco” aparece em artigo técnico do setor de postos como poço para medir vapores, usado em condições específicas e por orientação de alguns órgãos ambientais. Não achamos definição técnica para “poço seco” no sentido de nível abaixo do filtro.
Qual a diferença entre poço de monitoramento, piezômetro e INA?
A diferença está no objetivo e no trecho aberto do tubo. Segundo a dissertação da UFOP (Cerqueira, 2017):
Poço de monitoramento: feito para amostrar a qualidade da água, conforme a NBR 15495-1.
Piezômetro Casagrande: tubo com trecho perfurado numa célula de areia, com selo de bentonita acima. Mede a carga piezométrica naquele trecho.
INA (indicador de nível d'água): tubo ranhurado em quase todo o comprimento. Mede só o nível médio e liga camadas diferentes.
A UFOP admite usar o Casagrande para amostrar, desde que ele atenda à norma específica da ABNT. O comparativo completo está no guia do HIDROPAAS sobre a diferença entre piezômetro, INA e poço de monitoramento. Para o instrumento em si, leia o que é piezômetro.
Onde o poço de monitoramento é exigido?
Quem define número, posição e frequência é a licença ou a norma de cada órgão. Alguns exemplos com regra escrita:
Aterro sanitário em MG: a DN COPAM 244/2022 pede no mínimo 4 poços, 1 a montante e 3 a jusante no fluxo preferencial.
Aterro sanitário em SC: a IN 02 do IMA pede poços conforme a NBR 15495, a no máximo 30 m da disposição, com mínimo de 5, 8 ou 12 conforme o porte, e sugere frequência semestral.
Área contaminada em SP: a Decisão de Diretoria CETESB 038/2017 pede mapa potenciométrico por campanha de amostragem e tabela com profundidade do nível, cota dos poços e cargas hidráulicas.
Licenciamento no RS: a FEPAM pode pedir medição de nível ao menos mensal no 1º ano, de preferência em períodos de chuva, e depois trimestral.
A Resolução CONAMA 420/2009 define as etapas de gestão de área contaminada, mas não detalha a medição de nível. Para aterros, veja o plano de monitoramento de aterro sanitário.
Como transformar a leitura do nível em carga hidráulica?
A profundidade medida só vira informação quando é convertida em cota: cota do nível = cota da boca − profundidade medida. Pela FEPAM, a carga hidráulica no poço é expressa pela altitude ortométrica da superfície da água.
Exemplo ilustrativo com três poços alinhados no sentido do fluxo:
Poço | Cota da boca (m) | Profundidade do nível (m) | Cota do nível (m) |
PM-01 (montante, 0 m) | 102,40 | 3,15 | 99,25 |
PM-02 (40 m) | 101,80 | 3,60 | 98,20 |
PM-03 (jusante, 80 m) | 100,20 | 2,50 | 97,70 |
O PM-03 tem o nível mais raso e, mesmo assim, a menor carga. Quem decide o sentido do fluxo é a cota, não a profundidade. Por isso a cota da boca precisa de nivelamento amarrado.
O gradiente hidráulico entre PM-01 e PM-03 é i = Δh/L, como em Freeze & Cherry: (99,25 − 97,70) ÷ 80 = 1,55 ÷ 80 ≈ 0,019 m/m. Com vários poços, essas cotas formam o mapa potenciométrico da área.

Erros comuns em poço de monitoramento
Os erros mais caros nascem na construção e só aparecem meses depois, na análise dos dados. Os quatro primeiros são opinião técnica de Riyis & Riyis, em artigo de congresso publicado pela ABAS; os outros vêm da nossa experiência de campo.
Falta de projeto: poço feito sem estudo do perfil.
“Material-padrão” para tudo: tubo de 50 mm, ranhura de 0,50 mm e pré-filtro de 1,5 a 3,0 mm em qualquer terreno.
Sem pré-desenvolvimento: os autores recomendam pistonear para assentar o pré-filtro.
Trado manual em tudo: mesmo onde não é o método adequado.
Boca sem cota amarrada: o mapa potenciométrico sai errado, como no exemplo acima.
Sonda sem limpeza entre poços: a medição pode levar contaminação de um poço para outro.
Como a PAAS e o HIDROPAAS ajudam
A PAAS trabalha desde 1985, com geólogo responsável (CREA) em cada projeto. Para poço de monitoramento, fazemos o projeto, o levantamento de níveis com mapa potenciométrico e o plano de monitoramento, com leituras e relatório técnico com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para o órgão. A perfuração e a instalação de poços de monitoramento e piezômetros são feitas só no RS, em SC, no PR e em SP.
Entre uma campanha e outra, o nível pode ser medido sem ir a campo. O HIDROPAAS lê o nível de forma automática e contínua, com sensor de nível hidrostático descido no tubo, e mostra tudo na plataforma online. Converte a leitura em nível e cota, com correção barométrica, gera relatório automático e exporta em Excel ou CSV. Veja o medidor de nível para poço de monitoramento.
Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Os alertas por limite usam os valores que o responsável técnico define, e a interpretação continua com ele. Cada projeto é personalizado, com painéis e relatórios montados conforme a condicionante da licença.
Perguntas frequentes
O que é poço de monitoramento?
É uma obra feita para acompanhar a qualidade e o nível da água subterrânea, sem uso da água para abastecimento. Nele se coletam amostras e se mede a profundidade do lençol. Em aquífero granular, o projeto e a construção seguem a NBR 15495-1:2007.
Qual é a norma do poço de monitoramento?
A NBR 15495-1:2007, corrigida em 2009, trata de projeto e construção em aquífero granular. A NBR 15495-2:2008 trata do desenvolvimento, e a NBR 15847:2010, da purga, como cita a FEPAM. Em aquífero fraturado, a FEPAM pede técnicas complementares a critério do profissional.
O que é poço de monitoramento afogado?
É o poço cujo nível d'água inicial está acima do topo da seção filtrante, segundo a FEPAM. No poço não afogado, o nível fica dentro do trecho filtrante. A diferença muda os limites de rebaixamento durante a purga.
Qual a diferença entre poço de monitoramento e piezômetro?
O poço de monitoramento é feito para amostrar a qualidade da água. O piezômetro Casagrande mede a carga piezométrica num trecho isolado por selo de bentonita. Os dois podem receber sensor de nível para leitura contínua.
Poço de monitoramento precisa de outorga?
Depende do estado. Em SP, é dispensado de outorga e de cadastro; em MG, é dispensado de outorga, mas precisa de cadastro no IGAM; no RS, pelo guia da SEMA, é cadastrado no SIOUT e recebe dispensa de outorga, com ART. Nos demais estados, a PAAS verifica o caso junto ao órgão.
Com que frequência medir o nível do poço de monitoramento?
Não achamos frequência nacional única; vale o que a licença pede. No RS, a FEPAM pode pedir medição ao menos mensal no 1º ano e depois trimestral. Em aterros de SC, a IN 02 do IMA sugere frequência semestral.
Monitore seus piezômetros com o HIDROPAAS
Poços de monitoramento e piezômetros podem ter leitura automática de nível, com alerta e relatório. Conheça o guia de monitoramento de piezômetros do HIDROPAAS e veja como funciona o medidor de nível contínuo para poço de monitoramento.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Poço de monitoramento é a obra que mostra a qualidade e o nível da água subterrânea, e só entrega dado confiável se for projetado, construído e nivelado com cuidado. Mande a localização da área, quantos poços a licença pede e o que precisa ser medido que montamos o projeto e o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.




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