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Como Instalar um Piezômetro de Tubo Aberto (Casagrande): Passo a Passo

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 11 horas
8 min de leitura

Para instalar um piezômetro de tubo aberto (Casagrande), você perfura até a cota de projeto, desce o tubo com o trecho perfurado, envolve esse trecho numa célula de areia, sela logo acima com bentonita, preenche o restante do furo, protege a boca e registra a cota dela. Depois vêm o desenvolvimento e o teste de resposta.

Capa com o texto “Como instalar um piezômetro Casagrande” sobre a foto: técnico desce uma sonda elétrica de nível dentro de um piezômetro de tubo aberto na crista de uma barragem de terra, com o reservatório ao fundo

Vai instalar piezômetros em obra, aterro, barragem ou área contaminada no RS, SC, PR ou SP? Mande o projeto pelo WhatsApp e o nosso geólogo avalia a perfuração e a instalação.

O que é um piezômetro Casagrande e por que a instalação decide a leitura?

O piezômetro Casagrande é um tubo com um trecho perfurado envolto em areia e isolado por um selo de bentonita logo acima. Por isso ele mede a carga piezométrica naquele trecho, e não a média do furo, como descreve a dissertação da UFOP sobre instrumentação (Cerqueira, 2017).

Se o selo falha, a água de outras camadas entra no tubo e a leitura perde o sentido. O Manual do Empreendedor da ANA (vol. VII) resume: medir com confiabilidade exige isolar a área em volta do tubo acima da câmara de tomada de pressão.

É esse isolamento que separa o piezômetro do INA (indicador de nível d'água), que mede um nível médio. Veja a comparação em piezômetro, INA e poço de monitoramento: qual a diferença.

O que definir no projeto antes de perfurar?

O projeto define a profundidade de cada piezômetro, o comprimento da célula de areia, a espessura do selo e o traço da calda. Segundo a UFOP, esses valores não são fixos, e o trecho perfurado do Casagrande tem "geralmente" cerca de 1 m por célula de areia.

Componente

Função

O que define

Tubo (PVC, metálico ou geomecânico)

Leva a água do trecho perfurado até a boca

Diâmetro de projeto

Trecho perfurado ou tubo-filtro

Deixa a água entrar no ponto medido

Geralmente cerca de 1 m; Hvorslev se o tempo de resposta importa

Tela geotêxtil

Evita a entrada de finos

Dispensável se filtro e pré-filtro seguirem a NBR 12.212

Célula de areia (pré-filtro)

Envolve o trecho perfurado

Altura e granulometria de projeto

Selo de bentonita

Isola o trecho medido das camadas de cima

Espessura conforme projeto

Calda de cimento e bentonita ou solo local

Preenche o furo acima do selo (e o fundo, se passou da cota)

Traço de projeto

Tubo de proteção e base de concreto

Protege a boca e o ponto de medição

Diâmetro conforme o número de câmaras

Fonte da tabela: UFOP (Cerqueira, 2017), itens 2.3.1.2 e 2.3.2.2. A UFOP cita um tubo de proteção de 4" como exemplo, não como regra.

Confira a exigência do estado. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 (art. 53, III) dispensa de autorização de perfuração os piezômetros e INAs com revestimento de até 2 polegadas em empreendimento já regularizado. Para outros estados, veja se o poço de monitoramento precisa de outorga.

Como instalar um piezômetro de tubo aberto, passo a passo?

O roteiro segue a dissertação da UFOP. Os passos 7 a 9 são feitos enquanto o revestimento é retirado.

  1. Pré-furo: perfure até a profundidade de projeto e registre materiais, níveis d'água, umidade, plasticidade e resistência das camadas.

  2. Coluna de tubos: monte os tubos perto do furo, com cola ou rosca, no diâmetro de projeto.

  3. Trecho perfurado: use tubo perfurado, ranhurado ou tubo-filtro pronto, no comprimento de projeto.

  4. Geotêxtil: envolva o trecho perfurado para barrar os finos (dispensável nas condições da tabela).

  5. Fundo do furo: se o furo passou da cota, preencha o fundo com calda de água, cimento e bentonita, injetada de baixo para cima em baixa pressão.

  6. Descida da coluna: desça os tubos pelo furo revestido, com o wireline da perfuratriz, controlando a cota da base.

  7. Célula de areia: lance a areia com cuidado pela boca, na altura e granulometria de projeto, conferindo a cota com trena presa a um vergalhão.

  8. Selo de bentonita: logo acima da célula. Em furo raso, lascas ou pelotas lançadas pela boca; em furo profundo, bentonita diluída levada por mangote.

  9. Preenchimento: complete o furo acima do selo com solo do local ou calda de cimento e bentonita, no traço de projeto.

  10. Proteção da boca: instale um tubo metálico de proteção engastado em base de concreto.

  11. Cota da boca: marque o ponto de medição e amarre a cota a um datum.

  12. Desenvolvimento e teste de resposta: confira se o piezômetro responde à formação antes da série de leituras.

Fluxo da instalação de um piezômetro Casagrande em seis etapas: pré-furo, coluna com trecho perfurado e geotêxtil, célula de areia, selo de bentonita, preenchimento com proteção da boca, e cota da boca com teste de resposta
Técnico conecta cabos de piezômetros a um datalogger dentro de uma caixa de proteção fixada em poste, ao lado da boca de um piezômetro

Como registrar a cota da boca do piezômetro?

A cota da boca do piezômetro deve ser registrada, amarrada a um datum e verificada ao longo do tempo, segundo a UFOP. Todas as contas partem dela.

O manual de campo do USGS (TM 1-A1) recomenda ponto de medição permanente e marcos de referência próximos, para perceber se o ponto se mexeu. Para comparar níveis entre piezômetros, a cota deve vir de nivelamento.

A cota piezométrica é a cota da boca menos a profundidade medida do nível. Entre dois piezômetros, o gradiente hidráulico é i = Δh/L, a diferença de carga dividida pela distância, como na Lei de Darcy (Freeze e Cherry, cap. 2).

Exemplo ilustrativo com dois piezômetros a 35 m um do outro:

Item

PZ-01

PZ-02

Cota da boca

102,35 m

101,10 m

Profundidade do nível

4,80 m

4,25 m

Cota piezométrica

102,35 − 4,80 = 97,55 m

101,10 − 4,25 = 96,85 m

A diferença de carga é 97,55 − 96,85 = 0,70 m, e o gradiente fica i = 0,70 ÷ 35 = 0,02, com fluxo do PZ-01 para o PZ-02, se os dois trechos perfurados estiverem na mesma camada.

Se a boca do PZ-01 for cortada 0,20 m e a cota não for atualizada, a sonda passa a medir 4,60 m e a conta dá 102,35 − 4,60 = 97,75 m. O gradiente sobe para 0,90 ÷ 35 ≈ 0,026 sem mudança real na água.

Como desenvolver e testar a resposta do piezômetro?

O desenvolvimento e o teste de resposta confirmam que o trecho perfurado está em contato hidráulico com o solo antes da série de leituras. Não encontramos protocolo normativo brasileiro específico para o Casagrande, então o procedimento sai do projeto.

Uma referência aberta é o slug test do USGS (GWPD 17): muda-se o nível d'água de forma rápida e mede-se a velocidade da volta. Pré-filtro, efeito de película (skin) e desenvolvimento ruim afetam o resultado.

Pela formulação de Hvorslev citada pela UFOP, o tempo básico é T = A/(F·k) (área do tubo, fator de forma da célula e permeabilidade). Em T, o nível equaliza 63%; 90% leva cerca de 2,3·T. Em solo pouco permeável, uma leitura cedo demais pode parecer estável quando ainda está subindo.

Dá para instalar o piezômetro já pensando na automação?

Dá, e vale decidir isso na instalação. A UFOP descreve a automação do Casagrande com um transdutor ou sensor de corda vibrante, saturado e calibrado, descido até cerca de 30 cm acima da base do tubo, com a cota registrada, proteção contra raios e datalogger.

Deixe espaço para o sensor e o cabo e preveja a correção barométrica, porque o sensor não ventilado responde à pressão do ar. Veja o passo a passo em automação de piezômetros: como automatizar o Casagrande sem perfurar de novo.

Erros comuns que inutilizam a leitura

Boa parte dos problemas de leitura de um piezômetro nasce na instalação. Estes são os que mais vemos em campo:

  • Selo curto ou fora da cota: a água de outras camadas entra, e o piezômetro passa a se comportar como um INA.

  • Fundo do furo aberto: o furo passou da cota e não recebeu calda, ligando o trecho medido às camadas de baixo.

  • Cota da base sem controle: a célula de areia fica fora da camada que o projeto queria medir.

  • Leitura cedo demais: em solo pouco permeável, o tubo demora a equalizar.

  • Finos no tubo: sem geotêxtil ou pré-filtro adequado, o trecho perfurado pode colmatar.

  • Boca sem proteção: um tubo quebrado ou cortado muda o ponto de medição e todas as cotas seguintes.

  • Biogás em aterro: uma monografia que cita Cepollina et al. (2004) relata espuma e falso nível de chorume na sonda do Casagrande (fonte secundária).

Quatro cards com erros de instalação de piezômetro: selo de bentonita mal feito, fundo do furo aberto, boca sem proteção e leitura feita antes de o tubo equalizar

Sem cotas bem amarradas também não sai um mapa potenciométrico confiável. Em aterros, veja piezômetros em aterro sanitário: nível de chorume, poropressão e Ru.

Como a PAAS e o HIDROPAAS ajudam

A PAAS perfura e instala piezômetros e poços de monitoramento só no RS, em SC, no PR e em SP, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Também faz plano de monitoramento, leituras, levantamento de níveis, mapa potenciométrico, relatório técnico com ART e a outorga de rebaixamento de lençol, remota, em todo o Brasil. Desde 1985, com o geólogo Chert Bobsin (CREA-RS) como responsável técnico.

Depois da instalação, o HIDROPAAS faz a leitura automática, sem depender de ida a campo a cada medição. Um sensor de nível hidrostático no tubo do Casagrande, ou a leitura de um piezômetro de corda vibrante já instalado, envia dados contínuos para a plataforma web e o app, com nível, poropressão (kPa ou m.c.a.), cota piezométrica e Ru, correção barométrica, relatório e exportação em Excel ou CSV.

Já monitoramos os piezômetros de um aterro sanitário: nível do líquido, poropressão em kPa, Ru e cota piezométrica calculados automaticamente. Os limites de atenção e alerta são definidos pelo projetista ou responsável técnico; o HIDROPAAS mede, calcula, avisa e gera o relatório, num projeto personalizado para cada rede.

Perguntas frequentes

Qual a profundidade de um piezômetro Casagrande?

Não existe profundidade padrão. É a do ponto que o projeto quer medir, com o trecho perfurado dentro dessa camada, geralmente com cerca de 1 m por célula de areia. Se o furo passar da cota, o fundo é preenchido com calda de cimento e bentonita.

Para que serve o selo de bentonita no piezômetro?

O selo isola o trecho perfurado das camadas de cima, para que o piezômetro meça a carga só naquele ponto. Sem ele, a água de outras camadas entra no tubo e a leitura vira um nível médio, como a de um INA. A espessura é definida no projeto.

Qual a diferença entre instalar um piezômetro e um INA?

No Casagrande, o trecho perfurado é curto, fica numa célula de areia e tem selo de bentonita acima. O INA é ranhurado em quase todo o comprimento, liga camadas diferentes e mede o nível médio. Por isso o INA não mede a poropressão de um ponto.

Precisa de autorização para instalar piezômetro?

Depende do estado. Em Minas Gerais, a Portaria IGAM 48/2019 dispensa de autorização de perfuração os piezômetros e INAs de até 2 polegadas em empreendimento já regularizado. Nos outros estados, confira a regra no órgão gestor antes de perfurar.

A PAAS instala piezômetros em qualquer estado?

Não. A perfuração e a instalação são feitas só no RS, em SC, no PR e em SP. A outorga de rebaixamento de lençol é feita de forma remota em todo o Brasil, e o HIDROPAAS lê piezômetros já instalados com o sensor ou a interface adequada.

Dá para automatizar um piezômetro Casagrande depois de instalado?

Sim. A literatura técnica descreve a descida de um transdutor ou sensor de corda vibrante, saturado e calibrado, até cerca de 30 cm acima da base do tubo, ligado a um datalogger. Como o tubo é aberto à atmosfera, a leitura precisa de correção barométrica.

Monitore seus piezômetros com o HIDROPAAS

Com os piezômetros instalados, a leitura pode ser contínua e com alerta. Veja o guia de monitoramento de piezômetros do HIDROPAAS e a comparação piezômetro de corda vibrante x Casagrande.

Veja também

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Um piezômetro Casagrande tende a medir o ponto certo quando célula de areia, selo de bentonita e cota da boca são bem feitos. Mande quantos piezômetros você precisa, a profundidade e o que a licença ou o projeto pede, e montamos a instalação no RS, SC, PR ou SP e o monitoramento: fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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