Teste de Bombeamento para Outorga em SP: Regras da IT-DPO 10

O teste de bombeamento para outorga em SP segue a IT-DPO nº 10 do DAEE (2017, atualizada em 2018; confira se a SP Águas publicou versão nova): ensaios de vazão e recuperação pela NBR 12.244/2006, escalonado de 4 etapas (20, 60, 80 e 100%, 1 h no mínimo cada) a partir de 20 m³/h e interpretação de preferência pelo método de Jacob.

Vai pedir a outorga de um poço em São Paulo? Mande os dados do poço pelo WhatsApp e o nosso geólogo indica qual ensaio a instrução pede no seu caso.
O que a IT-DPO 10 exige no teste de bombeamento em SP?
A IT-DPO 10 é a instrução técnica do DAEE que define como o ensaio de vazão entra no pedido de outorga de poço em São Paulo. Ela é de 30/05/2017, atualizada em 02/04/2018. Como a outorga paulista hoje tramita na SP Águas, confira no site da agência se existe versão mais nova.
A outorga de poço é estadual: segundo a ANA, a agência federal outorga só águas de domínio da União. O caminho do pedido está no guia de outorga de poço na SP Águas (ex-DAEE). Na tabela, NE é o nível estático (bomba parada) e ND, o nível dinâmico (durante o bombeamento).
Tema | O que diz a IT-DPO 10 |
Norma de referência | Ensaios de vazão e de recuperação conforme a NBR 12.244/2006 |
Poço com vazão estabilizada de 20 m³/h ou mais | Escalonado em 4 etapas (20, 60, 80 e 100% da vazão máxima), no mínimo 1 h cada, sem parar a bomba; recomendado para aquíferos sedimentares |
Interpretação | Preferencialmente pelo método de Jacob, informando a transmissividade |
Responsável técnico | RT dos ensaios conforme a DN CONFEA 59/97 (item 15.3 d da IT-DPO 10) |
Acompanhamento | O DAEE pode acompanhar o ensaio |
Medição | Hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada" |
Operação | Bombeamento de no máximo 20 h por dia; em casos excepcionais, parar até recuperar pelo menos 80% |
Registros | O usuário guarda os registros de volume, NE e ND |
A tabela resume a redação de 2018. O responsável técnico deve conferir cada item na versão vigente antes de montar o relatório.

Quando o teste escalonado é exigido em SP?
Pela IT-DPO 10, o escalonado entra quando o poço tem vazão estabilizada de 20 m³/h ou mais. São 4 etapas de vazão crescente, cada uma com pelo menos 1 hora, sem desligar a bomba entre elas. A instrução recomenda esse ensaio para aquíferos sedimentares, como o Guarani na região de Bauru e no interior de SP.
O ensaio mostra como o rebaixamento cresce quando a vazão aumenta. Rebaixamento é s = ND − NE, como define o manual de testes de bombeamento da CPRM (1998). Com as etapas, monta-se a equação característica s = BQ + CQ², descrita pela ANA, que separa a perda no aquífero da perda no poço.
Exemplo ilustrativo, para uma vazão máxima de 40 m³/h:
Etapa | % da vazão máxima | Vazão (exemplo ilustrativo) | Duração mínima |
1 | 20% | 8 m³/h | 1 h |
2 | 60% | 24 m³/h | 1 h |
3 | 80% | 32 m³/h | 1 h |
4 | 100% | 40 m³/h | 1 h |
São pelo menos 4 horas de bombeamento contínuo, mudando só a vazão, em geral por uma válvula na descarga. Na terminologia da ANA, isso é o escalonado; com recuperação entre as etapas, o nome é sucessivo. O cálculo completo está no post sobre teste escalonado e equação característica.

Quanto tempo dura o ensaio de vazão para outorga em SP?
A IT-DPO 10 remete a duração dos ensaios de vazão e de recuperação à NBR 12.244/2006, cujo texto não é público. Por isso, não repetimos aqui um número de horas atribuído à NBR. O responsável técnico deve confirmar a duração na norma e na versão vigente da instrução.
Como referência técnica, a ANA descreve o teste de produção, "o tipo de teste usualmente solicitado pelos órgãos gestores", com 24 a 48 horas em etapa única. Para o escalonado, a ANA cita 2 a 6 horas por etapa; a instrução paulista fixa o mínimo de 1 hora.
Outros estados têm números próprios, que não valem para SP. Compare na tabela de teste de bombeamento para outorga por estado e no guia do teste para outorga no Paraná.

Como interpretar o teste pelo método de Jacob?
A IT-DPO 10 pede a interpretação preferencialmente pelo método de Jacob, com a transmissividade informada. Transmissividade (T) é a capacidade do aquífero de transmitir água em toda a sua espessura. Ela sai da inclinação da reta no gráfico semilog de rebaixamento x tempo.
Segundo o trabalho do USGS de Ferris e outros (1962), T = 0,183 · Q / Δs. Q é a vazão e Δs, o rebaixamento em um ciclo logarítmico de tempo. Com Q em m³/h, T sai em m²/h.
Caso | Q | Δs por ciclo log | T = 0,183 · Q / Δs |
Exemplo ilustrativo | 40 m³/h | 0,50 m | 14,64 m²/h |
Caso real (monografia UFOP, 2018) | 216 m³/h | 0,072 m | 549 m²/h |
No exemplo, 0,183 × 40 = 7,32, e 7,32 ÷ 0,50 = 14,64 m²/h. O método vale para tempos longos de bombeamento, e o coeficiente de armazenamento (S) só sai com poço de observação. Inclua também a capacidade específica (Q/s, em m³/h/m, conforme a CPRM). Veja o exemplo resolvido do método de Cooper-Jacob.
Quem assina o teste em SP e quem pode acompanhar?
No item 15.3 d, a IT-DPO 10 pede responsável técnico pelos ensaios conforme a DN CONFEA 59/97. Segundo o CREA-MT, essa decisão determina que empresas de poço tenham geólogo e/ou engenheiro de minas no quadro técnico. O serviço é registrado com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
A instrução também prevê que o DAEE pode acompanhar o ensaio. Vale planejar o teste com data definida e registros organizados desde a primeira leitura.
Hidrômetro, tubo auxiliar ou dispositivo automático?
A IT-DPO 10 cita hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada". O tubo auxiliar é o tubo fino ao lado da coluna da bomba, por onde desce o medidor de nível. Antes de usar sensor com registro automático no ensaio, confirme com a SP Águas como apresentar os dados e anexe a planilha com as leituras brutas; o relatório final segue o formato que o órgão pede. Veja o que os órgãos pedem sobre datalogger e transdutor no teste de bombeamento.
O que muda depois da outorga: 20 horas por dia e registros
A IT-DPO 10 limita o bombeamento a 20 horas por dia; em casos excepcionais, prevê parar a bomba até a recuperação chegar a pelo menos 80%. Confira a redação exata na versão vigente, porque esse limite pesa no dimensionamento.
Exemplo ilustrativo: 400 m³/dia em 20 horas pedem 20 m³/h (400 ÷ 20 = 20), e esse poço já entra no escalonado. Segundo a ANA, a maior vazão do escalonado deve ser igual ou maior que a vazão de explotação, a vazão de operação pedida. Depois, o usuário guarda os registros de volume, NE e ND, que ajudam na renovação e na fiscalização.
Erros comuns no teste para outorga em SP
É comum chegarem até nós relatórios com problemas que atrasam a outorga paulista:
Desligar a bomba entre as etapas: na IT-DPO 10 o escalonado é contínuo; parar vira outro ensaio.
Testar abaixo da vazão pedida: pedir mais do que o teste mostrou tende a gerar exigência do órgão.
Não medir o NE antes de ligar a bomba: sem ele, todo o rebaixamento fica errado.
Espaçar as leituras no começo: a ANA sugere leitura a cada 1 minuto nos primeiros 10 minutos.
Entregar gráfico sem transmissividade: a instrução paulista pede T informado.
Copiar as etapas de outro órgão: cada regra tem seus percentuais.
Para não misturar regras, compare as etapas do escalonado em cada fonte:
Regra | Quando se aplica | Etapas do escalonado |
SP (IT-DPO 10) | Vazão estabilizada de 20 m³/h ou mais | 20, 60, 80 e 100% da vazão máxima, no mínimo 1 h cada |
RS (TR HP02A, arquivo de 2016; conferir versão no SIOUT) | Acima de 30 m³/h | 4 etapas de 1 h: Q/4, 2Q/4, 3Q/4 e Q |
Água mineral (Portaria DNPM 374/2009, mantida pela Res. ANM 193/2024) | Acima de 10 m³/h | 4 degraus: 25, 50, 75 e 100% |
Como a PAAS ajuda
A PAAS trabalha com poços desde 1985 e faz a outorga em todo o estado de São Paulo de forma remota, com geólogo responsável técnico registrado no CREA. Montamos o pedido, conferimos se o teste atende à IT-DPO 10 e acompanhamos o processo na SP Águas. Em SP, também atendemos perfuração com empresas parceiras.
No teste, usamos o sistema HIDROPAAS: sensor de nível hidrostático, medidor de vazão e central que envia os dados para a plataforma online. Ele registra nível e vazão com intervalo configurável, permite acompanhar o teste ao vivo e ligar ou desligar a bomba pelo app. A equipe não precisa ficar 24 horas ou mais no poço.
A plataforma calcula rebaixamento, capacidade específica, transmissividade (Cooper-Jacob e Theis), recuperação e uma sugestão de vazão de explotação. Gera os gráficos de rebaixamento x tempo e recuperação x tempo, o relatório e a planilha das leituras (Excel ou CSV). O teste pode ser feito em três formatos:
Kit reutilizável: para perfurador, geólogo ou consultoria que leva o equipamento de poço em poço; assina o responsável técnico do cliente, com ART.
Aluguel ou por teste: para quem faz poucos ensaios; assina também o responsável técnico do cliente.
PAAS executa o teste: entregamos o relatório assinado pelo geólogo da PAAS, com ART. No RS, vamos ao local; nos outros estados, com parceiro da região ou com o aparelho alugado, instalado pelo cliente e acompanhado a distância pela PAAS.
O relatório reúne os dados que os órgãos costumam pedir, e o formato final segue as exigências da SP Águas. Fale com o geólogo pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Todo poço em SP precisa de teste escalonado para a outorga?
Não necessariamente. A IT-DPO 10 pede o escalonado em 4 etapas para poço com vazão estabilizada de 20 m³/h ou mais, com recomendação para aquíferos sedimentares. Os ensaios de vazão e de recuperação seguem a NBR 12.244/2006.
Posso desligar a bomba entre as etapas do teste escalonado?
Pela IT-DPO 10, não. As 4 etapas (20, 60, 80 e 100% da vazão máxima) são feitas sem parar a bomba, cada uma com pelo menos 1 hora.
A NBR exige 24 horas de teste de bombeamento?
O texto da NBR 12.244/2006 não é público, e essa afirmação não foi confirmada. A ANA descreve o teste de produção com 24 a 48 horas como referência técnica; a duração do seu ensaio deve ser confirmada pelo responsável técnico.
Quem pode assinar o teste de bombeamento em SP?
A IT-DPO 10 pede responsável técnico conforme a DN CONFEA 59/97. Segundo o CREA-MT, essa decisão exige geólogo e/ou engenheiro de minas no quadro técnico das empresas de poço, e o serviço é registrado com ART.
Posso usar sensor de nível automático no teste em SP?
A IT-DPO 10 cita hidrômetro e tubo auxiliar "ou algum outro dispositivo de tecnologia atualizada". Antes de usar sensor com registro automático no ensaio, confirme com a SP Águas como apresentar os dados e anexe a planilha com as leituras. O relatório final segue o formato e as exigências do órgão.
A PAAS faz a outorga de poço em qualquer cidade de SP?
Sim. O pedido é feito de forma remota para todo o estado, com geólogo responsável técnico e ART. Para o teste, há três formatos: kit próprio, aluguel ou a PAAS executando o ensaio, com parceiro da região ou acompanhando a distância o aparelho instalado por você.
Conheça o sistema HIDROPAAS para teste de bombeamento
Para registrar nível e vazão automaticamente e sair do poço com o relatório pronto, veja como funciona o teste de bombeamento automático HIDROPAAS.
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Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Em SP, o teste de bombeamento para outorga segue a IT-DPO 10: NBR 12.244/2006, escalonado de 4 etapas a partir de 20 m³/h, transmissividade pelo método de Jacob e responsável técnico habilitado. Para acertar o ensaio antes do protocolo, fale com um especialista no WhatsApp (51) 99289-2188.




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