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Água de poço nas Missões (Santo Ângelo): resultado da Vigilância em 2025

Foto do escritor: Chert Bobsin
Chert Bobsin
há 10 horas
7 min de leitura

Na região das Missões (12ª Coordenadoria Regional de Saúde, de Santo Ângelo), a Vigilância coletou 1.956 amostras de água em 820 poços e sistemas coletivos em 2025. Em 18,4% das amostras analisadas (356 de 1.940) havia E. coli, e 275 soluções coletivas, 1 em cada 3 das amostradas, tiveram a bactéria em pelo menos uma coleta. Todos os 24 municípios da região tiveram pelo menos uma amostra positiva.

Ao mesmo tempo, das 896 soluções coletivas cadastradas na região em 2026, 485 (54,1%) não tinham nenhum controle lançado no SISAGUA de janeiro a agosto. É infração sanitária no RS, e o registro da Vigilância, com o resultado da água, é público.

Sistema comunitário de água com poço artesiano e reservatório na região das Missões, RS, com coletas da Vigilância em 2025

Água de poço na região das Missões: os números de 2025

Infográfico com os resultados da Vigilância em poços coletivos da região das Missões, 12ª CRS, em 2025

Os números vêm dos dados abertos do SISAGUA, o sistema do Ministério da Saúde, baixados pela PAAS em 27 de setembro de 2026. Consideramos só soluções alternativas coletivas (SAC): o poço que abastece condomínio, empresa, escola, hotel, restaurante ou comunidade rural, sem rede de distribuição (Portaria GM/MS 888/2021, art. 5º, VI).

Indicador (SAC, 2025)

12ª CRS (Santo Ângelo)

RS

Amostras coletadas pela Vigilância

1.956

24.911

Soluções coletivas amostradas

820

8.174

Municípios com coleta

24

440

Amostras com E. coli

356 de 1.940 (18,4%)

3.031 de 24.625 (12,3%)

Soluções com E. coli em pelo menos uma coleta

275

2.139

Medições de cloro abaixo de 0,2 mg/L

237 de 867 (27,3%)

3.802 de 16.450 (23,1%)

SACs sem controle lançado em 2026 (jan a ago)

485 de 896 (54,1%)

5.432 de 10.478 (51,8%)

É a terceira região do RS em número de amostras contaminadas, depois das regiões de Santa Maria e de Passo Fundo. A comparação completa está no estudo PAAS sobre os poços coletivos do RS.

Resultado por município da 12ª CRS

A tabela está em ordem de número de amostras com E. coli. "SACs com E. coli" conta os poços ou sistemas com pelo menos uma amostra positiva. A última coluna mostra quantas soluções coletivas cadastradas em 2026 não lançaram nenhum controle de janeiro a agosto.

Município

Amostras

Com E. coli

SACs com E. coli

Cloro abaixo de 0,2 mg/L

Sem controle em 2026

São Nicolau

102

34 (34,0%)

29

sem medição

31 de 36

Sete de Setembro

72

32 (45,1%)

15

sem medição

16 de 16

São Borja

115

31 (27,2%)

26

62,3%

0 de 60

Santo Antônio das Missões

108

28 (25,9%)

19

2,7%

36 de 47

Santo Ângelo

176

27 (15,3%)

25

sem medição

108 de 109

Roque Gonzales

101

26 (26,0%)

23

31,2%

41 de 50

Guarani das Missões

86

23 (26,7%)

17

8,3%

22 de 42

Garruchos

69

20 (29,0%)

16

40,0%

14 de 32

Entre-Ijuís

96

19 (19,8%)

16

sem medição

62 de 62

Ubiretama

61

16 (27,1%)

10

0,0%

12 de 15

São Pedro do Butiá

78

15 (20,8%)

6

28,9%

0 de 14

Dezesseis de Novembro

72

12 (16,7%)

9

34,7%

1 de 29

Cerro Largo

106

9 (8,5%)

6

61,3%

0 de 26

Porto Xavier

91

9 (9,9%)

8

0,0%

37 de 52

Vitória das Missões

73

9 (12,5%)

8

12,7%

0 de 34

Caibaté

60

8 (13,6%)

6

sem medição

22 de 27

Bossoroca

52

8 (15,4%)

8

0,0%

19 de 44

São Luiz Gonzaga

103

7 (6,8%)

7

19,4%

7 de 49

Rolador

72

6 (8,5%)

6

25,7%

0 de 28

Pirapó

69

5 (7,2%)

4

64,3%

0 de 19

Eugênio de Castro

43

5 (11,6%)

5

0,0%

24 de 31

São Miguel das Missões

37

4 (10,8%)

3

sem medição

31 de 31

Mato Queimado

72

2 (2,8%)

2

0,0%

0 de 19

Salvador das Missões

42

1 (2,4%)

1

2,4%

2 de 24

Como ler: o percentual de E. coli é sobre as amostras em que o parâmetro foi analisado. "Sem medição" significa que não houve medição de cloro residual livre nas amostras da Vigilância daquele município. Em municípios com poucas amostras, um único resultado muda muito o percentual.

O que os dados mostram na região

Santo Ângelo

No município de Santo Ângelo, a Vigilância coletou 176 amostras em 100 soluções coletivas. Em 27 havia E. coli (15,3%), em 25 sistemas diferentes. Das 109 soluções coletivas cadastradas em 2026, 108 não tinham controle lançado até agosto. Para conferir um sistema específico, veja como consultar o resultado da Vigilância no painel do SISAGUA.

Taxas mais altas

Entre os municípios com pelo menos 20 amostras analisadas, as maiores taxas de E. coli foram de Sete de Setembro (45,1%, 32 de 71), São Nicolau (34,0%, 34 de 100), Garruchos (29,0%, 20 de 69), São Borja (27,2%, 31 de 114), Ubiretama (27,1%) e Guarani das Missões (26,7%). São Nicolau teve o maior número de amostras positivas da região, em 29 soluções coletivas diferentes.

Controle lançado não é o mesmo que água boa

São Borja chama atenção por outro motivo. Todas as 60 soluções coletivas cadastradas lá tinham controle lançado em 2026. Mesmo assim, nas coletas da Vigilância de 2025, 27,2% das amostras tinham E. coli e 62,3% das medições de cloro estavam abaixo de 0,2 mg/L. Lançar o dado no sistema cumpre o prazo, mas não substitui cloração bem controlada, limpeza e proteção do poço.

No outro extremo, em Sete de Setembro, Entre-Ijuís e São Miguel das Missões nenhuma solução coletiva cadastrada lançou controle em 2026. Veja o panorama do controle no SISAGUA em todo o RS.

Por que a E. coli aparece na água de poço

E. coli vive no intestino de pessoas e animais. Na água, indica contato com esgoto ou fezes. Em poço, as causas mais comuns são:

  • laje de proteção rachada ou inexistente, e tampa do poço mal vedada;

  • fossa, sumidouro ou criação de animais perto do poço (a NBR 7229 pede 15 m entre fossa e poço);

  • caixa d'água sem limpeza ou sem tampa;

  • falta de cloro, ou cloro abaixo de 0,2 mg/L no ponto de consumo (art. 32 da Portaria 888).

Quase sempre tem solução: limpeza e desinfecção do poço e do reservatório, correção da proteção sanitária e cloração com controle diário. A PAAS faz esse serviço na região: veja manutenção, limpeza e desinfecção de poço artesiano em Santo Ângelo. Para sistemas comunitários, veja como regularizar sistema comunitário rural de água com poço, e o que fazer depois de um resultado positivo em coliformes na análise da água do poço.

Infográfico: 1 em cada 8 amostras de poços coletivos do RS tinha E. coli em 2025 e 23% das medições de cloro ficaram abaixo do mínimo

O que acontece se a água do poço coletivo não for cuidada

Infográfico: outorga suspensa, infração sanitária, interdição, multa e falta de defesa para quem não cuida da água do poço

Infração sanitária e interdição

Não lançar o controle no SISAGUA no prazo é infração sanitária (Portaria SES-RS 276/2021, art. 5º). Com água fora do padrão, a Secretaria de Saúde pode determinar correções (art. 13, XI, da Portaria 888). A Lei 6.437/1977 prevê advertência, interdição parcial ou total do estabelecimento, cancelamento do alvará e multa de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, em dobro na reincidência. Veja multa e interdição da Vigilância Sanitária.

Outorga suspensa

Quando a outorga inclui consumo humano, a portaria do DRHS pode exigir o documento da Secretaria da Saúde em 120 dias. Perguntamos ao próprio DRHS em setembro de 2026: condicionante não cumprida suspende a outorga, que perde a validade e exige novo cadastro no SIOUT. Veja condicionante da outorga: autorização da Secretaria da Saúde em 120 dias.

Sem defesa se alguém adoecer

O resultado da Vigilância já está no sistema, e é público. Sem laudos próprios e registro de cloro, não há como mostrar que a água estava sendo cuidada. A Portaria 888 ainda aplica o Código de Defesa do Consumidor e as sanções civis e penais (art. 46).

Equipe da PAAS Poços Artesianos, com geólogo responsável pela qualidade da água de poços coletivos na região das Missões

Como a PAAS resolve: PAAS Sentinela

No PAAS Sentinela, a PAAS cuida da água do seu poço na região das Missões de ponta a ponta: outorga e condicionantes no SIOUT, responsável técnico com ART ou AFT, plano de amostragem, autorização na Secretaria da Saúde, cloração (dosador, instalação e controle), limpeza e desinfecção do poço e do reservatório, coleta e análises mensais e semestrais, e lançamento no SISAGUA dentro dos prazos. O HIDROPAAS, sistema de monitoramento criado pela PAAS, mede automaticamente cloro residual, turbidez e pH, entre outros parâmetros exigidos pela Portaria 888, e guarda o histórico que comprova o controle. Ele complementa as análises de laboratório, sem substituí-las.

Perguntas frequentes

A água de poço nas Missões é contaminada?

Não dá para generalizar. Nas coletas da Vigilância em 2025, 18,4% das amostras de poços coletivos da 12ª CRS tinham E. coli, acima da média do RS (12,3%). Só a análise do seu poço diz como está a sua água.

Quais municípios fazem parte da 12ª CRS?

Os 24 municípios da tabela acima, entre eles Santo Ângelo, São Borja, São Luiz Gonzaga, Cerro Largo, Porto Xavier e São Miguel das Missões.

Como saber se a Vigilância coletou a água do meu poço?

Pelo painel público do SISAGUA, filtrando ano, RS, município, SAC e o nome do seu sistema. O passo a passo está em como consultar o resultado da Vigilância.

Já lanço o controle no SISAGUA. Estou tranquilo?

Cumprir o prazo do dia 25 é obrigação, mas o que protege quem bebe a água é o tratamento. O exemplo de São Borja mostra que é possível ter controle lançado e, ainda assim, amostras da Vigilância com E. coli e cloro baixo.

A PAAS atende a região das Missões?

Sim. A PAAS atende todo o Rio Grande do Sul, com geólogo responsável técnico em todos os projetos.

Fontes

Sobre o autor

Chert Bobsin, geólogo CREA-RS 204.398, cofundador da PAAS e criador do HIDROPAAS

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.

Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.

Tem poço que abastece outras pessoas na região das Missões? Fale com a PAAS pelo WhatsApp (51) 99289-2188.

 
 
 

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