Água de poço na região de Santa Maria: resultado da Vigilância em 2025

Na região de Santa Maria (4ª Coordenadoria Regional de Saúde), a Vigilância coletou 2.019 amostras de água em 462 poços e sistemas coletivos em 2025. Em 23,0% das amostras analisadas (461 de 2.002) havia E. coli, a maior taxa entre as regiões de saúde do RS. Metade das soluções coletivas amostradas (234 de 462) teve a bactéria em pelo menos uma coleta.
E o controle que o dono do poço deveria fazer quase não aparece: das 606 soluções coletivas cadastradas na região em 2026, 459 (75,7%) não tinham nenhum resultado lançado no SISAGUA de janeiro a agosto. Para a Vigilância, isso é poço sem prova de cuidado, com risco de notificação, interdição e multa.

Água de poço na região de Santa Maria: os números de 2025

Os números vêm dos dados abertos do SISAGUA, o sistema do Ministério da Saúde, baixados pela PAAS em 27 de setembro de 2026. Consideramos só soluções alternativas coletivas (SAC): o poço que abastece condomínio, empresa, escola, hotel, restaurante ou comunidade rural, sem rede de distribuição (Portaria GM/MS 888/2021, art. 5º, VI).
Indicador (SAC, 2025) | 4ª CRS (Santa Maria) | RS |
Amostras coletadas pela Vigilância | 2.019 | 24.911 |
Soluções coletivas amostradas | 462 | 8.174 |
Municípios com coleta | 33 | 440 |
Amostras com E. coli | 461 de 2.002 (23,0%) | 3.031 de 24.625 (12,3%) |
Soluções com E. coli em pelo menos uma coleta | 234 | 2.139 |
Medições de cloro abaixo de 0,2 mg/L | 261 de 1.017 (25,7%) | 3.802 de 16.450 (23,1%) |
SACs sem controle lançado em 2026 (jan a ago) | 459 de 606 (75,7%) | 5.432 de 10.478 (51,8%) |
A taxa de E. coli da região é quase o dobro da média do estado. A comparação com as outras 17 regiões está no estudo PAAS sobre os poços coletivos do RS.
Resultado por município da 4ª CRS
A tabela está em ordem de número de amostras com E. coli. "SACs com E. coli" conta os poços ou sistemas com pelo menos uma amostra positiva. A última coluna mostra quantas soluções coletivas cadastradas em 2026 não lançaram nenhum controle de janeiro a agosto.
Município | Amostras | Com E. coli | SACs com E. coli | Cloro abaixo de 0,2 mg/L | Sem controle em 2026 |
Santa Maria | 363 | 50 (13,8%) | 13 | 21,9% | 18 de 19 |
Restinga Sêca | 122 | 36 (29,5%) | 15 | 83,3% | 23 de 24 |
Paraíso do Sul | 166 | 32 (19,3%) | 3 | 39,6% | 3 de 5 |
Agudo | 44 | 32 (72,7%) | 10 | sem medição | 22 de 22 |
São João do Polêsine | 89 | 27 (30,3%) | 17 | 4,2% | 25 de 26 |
Santiago | 78 | 26 (33,3%) | 12 | 2,6% | 30 de 30 |
Tupanciretã | 66 | 23 (37,7%) | 19 | sem medição | 22 de 38 |
Nova Palma | 75 | 21 (28,0%) | 10 | 66,1% | 24 de 24 |
São Martinho da Serra | 73 | 21 (28,8%) | 14 | 100,0% | 27 de 27 |
Itacurubi | 88 | 20 (22,7%) | 15 | 67,6% | 35 de 37 |
Mata | 28 | 17 (60,7%) | 7 | sem medição | 20 de 20 |
Vila Nova do Sul | 24 | 16 (66,7%) | 4 | sem medição | 7 de 7 |
Ivorá | 29 | 15 (51,7%) | 8 | sem medição | 18 de 18 |
Júlio de Castilhos | 59 | 13 (22,0%) | 5 | 44,1% | 19 de 19 |
São Vicente do Sul | 34 | 13 (38,2%) | 10 | 0,0% | 12 de 12 |
Nova Esperança do Sul | 32 | 13 (40,6%) | 11 | 70,0% | 20 de 20 |
Dona Francisca | 22 | 12 (66,7%) | 3 | sem medição | 7 de 7 |
Jari | 117 | 9 (7,8%) | 6 | 0,0% | 8 de 16 |
Pinhal Grande | 84 | 9 (10,7%) | 8 | 42,2% | 1 de 23 |
São Pedro do Sul | 29 | 8 (27,6%) | 8 | 0,0% | 14 de 27 |
Faxinal do Soturno | 28 | 8 (28,6%) | 5 | 57,1% | 10 de 10 |
Quevedos | 120 | 7 (5,9%) | 4 | 0,0% | 0 de 21 |
Unistalda | 32 | 6 (18,8%) | 4 | sem medição | 0 de 11 |
São Francisco de Assis | 10 | 6 (60,0%) | 6 | 0,0% | 12 de 12 |
Cacequi | 27 | 5 (18,5%) | 3 | 100,0% | 18 de 18 |
Silveira Martins | 12 | 5 (41,7%) | 5 | sem medição | 10 de 10 |
Toropi | 36 | 4 (11,1%) | 3 | 3,3% | 16 de 41 |
Dilermando de Aguiar | 33 | 3 (10,3%) | 3 | 0,0% | 1 de 8 |
Capão do Cipó | 66 | 2 (3,0%) | 1 | 0,0% | 0 de 17 |
Jaguari | 23 | 2 (9,1%) | 2 | sem medição | 24 de 24 |
Itaara | 4 | 0 (0,0%) | 0 | 0,0% | 2 de 2 |
Formigueiro | 3 | 0 (0,0%) | 0 | sem medição | 3 de 3 |
São Sepé | 3 | 0 (0,0%) | 0 | 100,0% | 8 de 8 |
Como ler: o percentual de E. coli é sobre as amostras em que o parâmetro foi analisado. "Sem medição" significa que não houve medição de cloro residual livre nas amostras da Vigilância daquele município. Em municípios com poucas amostras, um único resultado muda muito o percentual.
O que os dados mostram na região
Santa Maria
No município de Santa Maria, a Vigilância coletou 363 amostras em 21 soluções coletivas. Em 50 havia E. coli (13,8%), em 13 sistemas diferentes. Das 19 soluções coletivas cadastradas em 2026, 18 não tinham controle lançado até agosto. Para conferir o resultado de um sistema específico, veja como consultar o resultado da Vigilância no painel do SISAGUA.
Taxas mais altas
Entre os municípios com pelo menos 20 amostras analisadas, as maiores taxas de E. coli foram de Agudo (72,7%, 32 de 44), Vila Nova do Sul (66,7%, 16 de 24), Mata (60,7%, 17 de 28) e Ivorá (51,7%, 15 de 29). Nesses quatro municípios, nenhuma solução coletiva cadastrada lançou controle em 2026, e a Vigilância não registrou medição de cloro residual livre nas amostras.
Controle quase ausente
Em 19 dos 33 municípios, nenhuma solução coletiva cadastrada tinha controle lançado em 2026. Só em Quevedos, Unistalda e Capão do Cipó todas as soluções cadastradas tinham algum lançamento. Pela Portaria SES-RS 276/2021, esse lançamento é do responsável pelo poço, até o dia 25 do mês seguinte. Veja o panorama do controle no SISAGUA em todo o RS.
Por que a E. coli aparece na água de poço
E. coli vive no intestino de pessoas e animais. Na água, indica contato com esgoto ou fezes. Em poço, as causas mais comuns são:
laje de proteção rachada ou inexistente, e tampa do poço mal vedada;
fossa, sumidouro ou criação de animais perto do poço (a NBR 7229 pede 15 m entre fossa e poço);
caixa d'água sem limpeza ou sem tampa;
falta de cloro, ou cloro abaixo de 0,2 mg/L no ponto de consumo (art. 32 da Portaria 888).
A boa notícia: quase sempre tem solução. Limpeza e desinfecção do poço e do reservatório, correção da proteção sanitária e cloração com controle diário resolvem a maior parte dos casos. A PAAS faz esse serviço na região: veja manutenção, limpeza e desinfecção de poço artesiano em Santa Maria. O que fazer depois de um resultado positivo está em coliformes na análise da água do poço: o que fazer.

O que acontece se a água do poço coletivo não for cuidada

Infração sanitária e interdição
Não lançar o controle no SISAGUA no prazo é infração sanitária (Portaria SES-RS 276/2021, art. 5º). Com água fora do padrão, a Secretaria de Saúde pode determinar correções (art. 13, XI, da Portaria 888). A Lei 6.437/1977 prevê advertência, interdição parcial ou total do estabelecimento, cancelamento do alvará e multa de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, em dobro na reincidência. Veja multa e interdição da Vigilância Sanitária.
Outorga suspensa
Quando a outorga inclui consumo humano, a portaria do DRHS pode exigir o documento da Secretaria da Saúde em 120 dias. Perguntamos ao próprio DRHS em setembro de 2026: condicionante não cumprida suspende a outorga, que perde a validade e exige novo cadastro no SIOUT. Veja condicionante da outorga: autorização da Secretaria da Saúde em 120 dias e licenciamento de poço artesiano em Santa Maria.
Sem defesa se alguém adoecer
O resultado da Vigilância já está no sistema, e é público. Sem laudos próprios e registro de cloro, não há como mostrar que a água estava sendo cuidada. A Portaria 888 ainda aplica o Código de Defesa do Consumidor e as sanções civis e penais (art. 46).

Como a PAAS resolve: PAAS Sentinela
No PAAS Sentinela, a PAAS cuida da água do seu poço na região de Santa Maria de ponta a ponta: outorga e condicionantes no SIOUT, responsável técnico com ART ou AFT, plano de amostragem, autorização na Secretaria da Saúde, cloração (dosador, instalação e controle), limpeza e desinfecção do poço e do reservatório, coleta e análises mensais e semestrais, e lançamento no SISAGUA dentro dos prazos. O HIDROPAAS, sistema de monitoramento criado pela PAAS, mede automaticamente cloro residual, turbidez e pH, entre outros parâmetros exigidos pela Portaria 888, e guarda o histórico que comprova o controle. Ele complementa as análises de laboratório, sem substituí-las.
Perguntas frequentes
A água de poço na região de Santa Maria é contaminada?
Não dá para generalizar. Mas, nas coletas da Vigilância em 2025, 23,0% das amostras de poços coletivos da 4ª CRS tinham E. coli, contra 12,3% na média do RS. Só a análise do seu poço diz como está a sua água.
Quais municípios fazem parte da 4ª CRS?
Nos dados de 2025, a Vigilância coletou em 33 municípios da 4ª CRS, todos listados na tabela acima, de Santa Maria a Agudo, Santiago, Jaguari e São Sepé.
Como saber se a Vigilância coletou a água do meu poço?
Pelo painel público do SISAGUA, filtrando ano, RS, município, SAC e o nome do seu sistema. O passo a passo está em como consultar o resultado da Vigilância.
Meu poço deu E. coli. Preciso fechar?
Não necessariamente. O caminho é corrigir a causa, desinfetar, clorar e recoletar até o resultado ficar satisfatório (art. 27, § 1º, da Portaria 888), informando à Saúde as medidas adotadas.
A PAAS atende a região de Santa Maria?
Sim. A PAAS atende todo o Rio Grande do Sul, com geólogo responsável técnico em todos os projetos.
Fontes
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Tem poço que abastece outras pessoas na região de Santa Maria? Fale com a PAAS pelo WhatsApp (51) 99289-2188.




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