Água de poço na região de Passo Fundo: resultado da Vigilância em 2025

Na região de Passo Fundo (6ª Coordenadoria Regional de Saúde), a Vigilância coletou 3.278 amostras de água em 1.326 poços e sistemas coletivos em 2025, mais do que em qualquer outra região do RS. Em 13,6% das amostras analisadas (439 de 3.239) havia E. coli, e 338 soluções coletivas tiveram a bactéria em pelo menos uma coleta. Em 25,5% das medições, o cloro estava abaixo do mínimo de 0,2 mg/L.
A região também é a que tem mais soluções coletivas cadastradas no SISAGUA: 1.666 em 2026. Dessas, 751 (45,1%) não tinham nenhum controle lançado de janeiro a agosto. Poço coletivo sem controle lançado é infração sanitária no RS, e a Vigilância já passou por boa parte deles.

Água de poço na região de Passo Fundo: os números de 2025

Os números vêm dos dados abertos do SISAGUA, o sistema do Ministério da Saúde, baixados pela PAAS em 27 de setembro de 2026. Consideramos só soluções alternativas coletivas (SAC): o poço que abastece condomínio, empresa, escola, hotel, restaurante ou comunidade rural, sem rede de distribuição (Portaria GM/MS 888/2021, art. 5º, VI).
Indicador (SAC, 2025) | 6ª CRS (Passo Fundo) | RS |
Amostras coletadas pela Vigilância | 3.278 | 24.911 |
Soluções coletivas amostradas | 1.326 | 8.174 |
Municípios com coleta | 57 | 440 |
Amostras com E. coli | 439 de 3.239 (13,6%) | 3.031 de 24.625 (12,3%) |
Soluções com E. coli em pelo menos uma coleta | 338 | 2.139 |
Medições de cloro abaixo de 0,2 mg/L | 467 de 1.829 (25,5%) | 3.802 de 16.450 (23,1%) |
SACs sem controle lançado em 2026 (jan a ago) | 751 de 1.666 (45,1%) | 5.432 de 10.478 (51,8%) |
A taxa de E. coli fica perto da média do estado, mas o volume é grande: é a segunda região do RS em número de amostras contaminadas, atrás só da região de Santa Maria. A comparação completa está no estudo PAAS sobre os poços coletivos do RS.
Resultado por município da 6ª CRS
A tabela está em ordem de número de amostras com E. coli. "SACs com E. coli" conta os poços ou sistemas com pelo menos uma amostra positiva. A última coluna mostra quantas soluções coletivas cadastradas em 2026 não lançaram nenhum controle de janeiro a agosto.
Município | Amostras | Com E. coli | SACs com E. coli | Cloro abaixo de 0,2 mg/L | Sem controle em 2026 |
Barros Cassal | 49 | 24 (49,0%) | 8 | 100,0% | 10 de 10 |
Soledade | 124 | 23 (18,7%) | 17 | 5,5% | 10 de 50 |
Sananduva | 43 | 19 (44,2%) | 19 | 0,0% | 75 de 82 |
Sertão | 75 | 18 (24,0%) | 16 | 12,5% | 31 de 40 |
David Canabarro | 52 | 18 (34,6%) | 13 | 52,9% | 16 de 31 |
Santa Cecília do Sul | 72 | 17 (23,6%) | 12 | sem medição | 26 de 26 |
Marau | 115 | 16 (13,9%) | 13 | 1,8% | 45 de 58 |
Não-Me-Toque | 101 | 16 (16,0%) | 12 | 23,8% | 0 de 51 |
Alto Alegre | 67 | 16 (23,9%) | 11 | 0,0% | 20 de 22 |
Lagoa Vermelha | 85 | 15 (17,6%) | 8 | 44,3% | 10 de 25 |
Machadinho | 82 | 15 (18,5%) | 12 | 13,8% | 10 de 26 |
Santo Antônio do Planalto | 71 | 15 (21,1%) | 9 | 17,4% | 22 de 22 |
Santo Expedito do Sul | 39 | 15 (39,5%) | 11 | sem medição | 18 de 21 |
Ibiraiaras | 40 | 14 (35,0%) | 7 | sem medição | 21 de 26 |
Ibiaçá | 34 | 14 (41,2%) | 13 | 0,0% | 35 de 35 |
Tupanci do Sul | 54 | 13 (24,1%) | 9 | 51,9% | 0 de 18 |
Paim Filho | 41 | 13 (33,3%) | 9 | 7,9% | 15 de 15 |
Arvorezinha | 35 | 11 (31,4%) | 11 | 0,0% | 35 de 37 |
Victor Graeff | 71 | 10 (14,1%) | 8 | 0,0% | 22 de 33 |
Itapuca | 51 | 10 (19,6%) | 6 | 9,8% | 0 de 11 |
Nova Alvorada | 72 | 9 (12,5%) | 8 | 0,0% | 5 de 33 |
Água Santa | 44 | 9 (20,5%) | 8 | 0,0% | 33 de 37 |
Maximiliano de Almeida | 33 | 9 (27,3%) | 6 | 14,3% | 0 de 10 |
Cacique Doble | 48 | 8 (17,0%) | 7 | 3,2% | 0 de 22 |
Tapejara | 128 | 7 (5,5%) | 5 | 33,6% | 1 de 32 |
Espumoso | 58 | 7 (12,3%) | 7 | 14,0% | 1 de 59 |
Vila Maria | 74 | 5 (6,8%) | 4 | 52,1% | 1 de 32 |
Tapera | 48 | 5 (10,9%) | 5 | 54,2% | 21 de 36 |
Almirante Tamandaré do Sul | 72 | 4 (5,6%) | 4 | 17,1% | 5 de 25 |
Gentil | 72 | 4 (5,6%) | 3 | 34,7% | 1 de 13 |
Lagoa dos Três Cantos | 72 | 4 (5,6%) | 3 | 15,6% | 9 de 21 |
Tunas | 71 | 4 (5,6%) | 4 | sem medição | 0 de 21 |
Caseiros | 66 | 4 (6,1%) | 4 | 52,5% | 1 de 23 |
Muliterno | 66 | 4 (6,9%) | 4 | 1,7% | 1 de 15 |
Campos Borges | 48 | 4 (8,5%) | 4 | 0,0% | 1 de 25 |
Capão Bonito do Sul | 44 | 4 (9,1%) | 3 | 0,0% | 0 de 19 |
Passo Fundo | 39 | 4 (10,3%) | 4 | 65,2% | 34 de 35 |
Ciríaco | 34 | 4 (12,1%) | 4 | 6,1% | 0 de 30 |
Coqueiros do Sul | 60 | 3 (5,0%) | 3 | 25,0% | 4 de 19 |
Mato Castelhano | 54 | 3 (6,1%) | 3 | sem medição | 5 de 39 |
André da Rocha | 46 | 3 (6,5%) | 3 | 48,3% | 2 de 12 |
Santo Antônio do Palma | 39 | 3 (7,9%) | 3 | 65,2% | 1 de 18 |
São Domingos do Sul | 72 | 2 (2,8%) | 1 | 29,2% | 0 de 7 |
Pontão | 60 | 2 (3,4%) | 2 | 23,2% | 3 de 29 |
Serafina Corrêa | 55 | 2 (3,6%) | 2 | 74,5% | 4 de 48 |
Ibirapuitã | 54 | 2 (3,8%) | 2 | 76,1% | 27 de 27 |
São José do Ouro | 51 | 2 (3,9%) | 2 | 4,0% | 2 de 33 |
Barracão | 27 | 2 (8,0%) | 2 | sem medição | 11 de 11 |
Coxilha | 71 | 1 (1,4%) | 1 | 0,0% | 3 de 18 |
Vila Lângaro | 60 | 1 (1,7%) | 1 | 5,2% | 5 de 25 |
Ernestina | 48 | 1 (2,1%) | 1 | 21,4% | 30 de 30 |
São João da Urtiga | 9 | 1 (11,1%) | 1 | 0,0% | 3 de 20 |
Tio Hugo | 66 | 0 (0,0%) | 0 | 12,3% | 0 de 10 |
Vanini | 42 | 0 (0,0%) | 0 | sem medição | 9 de 9 |
Mormaço | 36 | 0 (0,0%) | 0 | 33,3% | 25 de 25 |
Lagoão | 34 | 0 (0,0%) | 0 | 2,9% | 1 de 10 |
Carazinho | 4 | 0 (0,0%) | 0 | 0,0% | 1 de 1 |
Camargo | 0 | sem coleta | - | - | 0 de 22 |
Casca | 0 | sem coleta | - | - | 43 de 44 |
Fontoura Xavier | 0 | sem coleta | - | - | 33 de 33 |
Montauri | 0 | sem coleta | - | - | 1 de 24 |
Nicolau Vergueiro | 0 | sem coleta | - | - | 3 de 25 |
Como ler: o percentual de E. coli é sobre as amostras em que o parâmetro foi analisado. "Sem medição" significa que não houve medição de cloro residual livre nas amostras da Vigilância daquele município. "Sem coleta" indica município com soluções cadastradas, mas sem amostra de SAC em 2025. Em municípios com poucas amostras, um único resultado muda muito o percentual.
O que os dados mostram na região
Passo Fundo
No município de Passo Fundo, a Vigilância coletou 39 amostras em 28 soluções coletivas. Em 4 havia E. coli (10,3%). O ponto de atenção é o cloro: em 15 das 23 amostras com cloro medido (65,2%), o residual estava abaixo de 0,2 mg/L. E das 35 soluções coletivas cadastradas em 2026, 34 não tinham controle lançado até agosto. Para conferir um sistema específico, veja como consultar o resultado da Vigilância no painel do SISAGUA.
Taxas mais altas
Entre os municípios com pelo menos 20 amostras analisadas, as maiores taxas de E. coli foram de Barros Cassal (49,0%, 24 de 49), Sananduva (44,2%, 19 de 43), Ibiaçá (41,2%, 14 de 34), Santo Expedito do Sul (39,5%, 15 de 38), Ibiraiaras (35,0%) e David Canabarro (34,6%). Em Barros Cassal, todas as 11 medições de cloro ficaram abaixo do mínimo, e nenhuma das 10 soluções cadastradas lançou controle em 2026.
Controle desigual
A região mostra que lançar o controle é possível. Em 11 municípios, como Não-Me-Toque, Tupanci do Sul, Itapuca, Cacique Doble e Ciríaco, todas as soluções coletivas cadastradas tinham algum lançamento em 2026. Em outros 12, como Barros Cassal, Ibiaçá, Paim Filho, Ernestina e Fontoura Xavier, nenhuma tinha. Pela Portaria SES-RS 276/2021, esse lançamento é do responsável pelo poço, até o dia 25 do mês seguinte. Veja o panorama do controle no SISAGUA em todo o RS.
Por que a E. coli aparece na água de poço
E. coli vive no intestino de pessoas e animais. Na água, indica contato com esgoto ou fezes. Em poço, as causas mais comuns são:
laje de proteção rachada ou inexistente, e tampa do poço mal vedada;
fossa, sumidouro ou criação de animais perto do poço (a NBR 7229 pede 15 m entre fossa e poço);
caixa d'água sem limpeza ou sem tampa;
falta de cloro, ou cloro abaixo de 0,2 mg/L no ponto de consumo (art. 32 da Portaria 888).
Quase sempre tem solução: limpeza e desinfecção do poço e do reservatório, correção da proteção sanitária e cloração com controle diário. A PAAS faz esse serviço na região: veja manutenção, limpeza e desinfecção de poço artesiano em Passo Fundo. O que fazer depois de um resultado positivo está em coliformes na análise da água do poço: o que fazer, e o controle do cloro em como medir o cloro residual livre todo dia.

O que acontece se a água do poço coletivo não for cuidada

Infração sanitária e interdição
Não lançar o controle no SISAGUA no prazo é infração sanitária (Portaria SES-RS 276/2021, art. 5º). Com água fora do padrão, a Secretaria de Saúde pode determinar correções (art. 13, XI, da Portaria 888). A Lei 6.437/1977 prevê advertência, interdição parcial ou total do estabelecimento, cancelamento do alvará e multa de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, em dobro na reincidência. Veja multa e interdição da Vigilância Sanitária.
Outorga suspensa
Quando a outorga inclui consumo humano, a portaria do DRHS pode exigir o documento da Secretaria da Saúde em 120 dias. Perguntamos ao próprio DRHS em setembro de 2026: condicionante não cumprida suspende a outorga, que perde a validade e exige novo cadastro no SIOUT. Veja condicionante da outorga: autorização da Secretaria da Saúde em 120 dias e licenciamento de poço artesiano em Passo Fundo.
Sem defesa se alguém adoecer
O resultado da Vigilância já está no sistema, e é público. Sem laudos próprios e registro de cloro, não há como mostrar que a água estava sendo cuidada. A Portaria 888 ainda aplica o Código de Defesa do Consumidor e as sanções civis e penais (art. 46).

Como a PAAS resolve: PAAS Sentinela
No PAAS Sentinela, a PAAS cuida da água do seu poço na região de Passo Fundo de ponta a ponta: outorga e condicionantes no SIOUT, responsável técnico com ART ou AFT, plano de amostragem, autorização na Secretaria da Saúde, cloração (dosador, instalação e controle), limpeza e desinfecção do poço e do reservatório, coleta e análises mensais e semestrais, e lançamento no SISAGUA dentro dos prazos. O HIDROPAAS, sistema de monitoramento criado pela PAAS, mede automaticamente cloro residual, turbidez e pH, entre outros parâmetros exigidos pela Portaria 888, e guarda o histórico que comprova o controle. Ele complementa as análises de laboratório, sem substituí-las.
Perguntas frequentes
A água de poço na região de Passo Fundo é contaminada?
Não dá para generalizar. Nas coletas da Vigilância em 2025, 13,6% das amostras de poços coletivos da 6ª CRS tinham E. coli, perto da média do RS (12,3%). Só a análise do seu poço diz como está a sua água.
Quais municípios fazem parte da 6ª CRS?
Nos dados, 62 municípios da 6ª CRS têm soluções coletivas cadastradas, todos na tabela acima, de Passo Fundo a Marau, Soledade, Lagoa Vermelha, Tapejara e Sananduva.
Como saber se a Vigilância coletou a água do meu poço?
Pelo painel público do SISAGUA, filtrando ano, RS, município, SAC e o nome do seu sistema. O passo a passo está em como consultar o resultado da Vigilância.
O cloro do meu poço está abaixo de 0,2 mg/L. É problema?
Sim. O art. 32 da Portaria 888 exige no mínimo 0,2 mg/L de cloro residual livre em todo o sistema, do reservatório ao ponto de consumo. Abaixo disso, a água fica sem proteção contra contaminação.
A PAAS atende a região de Passo Fundo?
Sim. A PAAS atende todo o Rio Grande do Sul, com geólogo responsável técnico em todos os projetos.
Fontes
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Tem poço que abastece outras pessoas na região de Passo Fundo? Fale com a PAAS pelo WhatsApp (51) 99289-2188.




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