Poços artesianos no Brasil em números: profundidade, nível e vazão por estado

O Brasil tem 352.201 poços tubulares cadastrados no SIAGAS, o banco público de poços do Serviço Geológico do Brasil. Nesses poços, a profundidade mediana é de 80 metros, 90% têm até 177 metros, o nível da água fica em torno de 12,3 metros de profundidade e a vazão específica mediana é de 0,37 m³/h por metro de rebaixamento. São Paulo tem os poços mais profundos, com mediana de 134 metros; Acre, Amapá, Roraima, Pará e Paraíba, os mais rasos, abaixo de 50 metros. Entre os poços com situação registrada, 11,3% estão secos, abandonados, obstruídos ou inutilizáveis.
Este levantamento da PAAS cruza os 390.063 pontos do SIAGAS (consulta de setembro de 2026) para mostrar como são os poços em cada estado. Os dados podem ser reproduzidos com citação da fonte.

O Brasil dos poços em 5 números
Indicador | Valor | Base |
Poços tubulares cadastrados | 352.201 | de 390.063 pontos no SIAGAS |
Profundidade mediana | 80 m (90% até 177 m) | 294.602 poços com profundidade |
Nível estático mediano (profundidade da água) | 12,3 m | 189.239 poços com nível |
Vazão específica mediana | 0,37 m³/h/m | 129.050 poços com teste |
Secos, abandonados, obstruídos ou inutilizáveis | 11,3% | 216.569 poços com situação registrada |
Como ler: a mediana é o valor do meio, metade dos poços fica acima e metade abaixo; ela não é distorcida por poucos poços muito profundos. A vazão específica é quanto o poço entrega para cada metro que a água baixa ao bombear. Entenda em nível estático e dinâmico.
Profundidade dos poços por estado

A diferença entre estados reflete a geologia. Onde a água está em rochas sedimentares profundas ou em basalto fraturado, como em boa parte de SP, PR, MS, SC e RS, os poços são mais fundos. No semiárido de rocha cristalina (PB, CE, PE, RN) e em áreas da Amazônia com água rasa em sedimentos, são mais rasos. Veja qual a profundidade ideal de um poço.
Tabela completa por estado
Estado | Poços tubulares | Profundidade mediana | 90% dos poços até | Nível da água mediano | Vazão específica (m³/h/m) | Secos ou abandonados | Uso mais comum |
38.248 | 60 m | 96 m | 8,7 m | 0,18 | 14,9% | múltiplo | |
37.151 | 60 m | 134 m | 10,0 m | 0,28 | 17,0% | doméstico/animal | |
36.173 | 100 m | 180 m | 14,8 m | 0,46 | 5,7% | doméstico | |
35.043 | 134 m | 260 m | 24,2 m | 0,31 | 4,2% | industrial | |
29.823 | 120 m | 210 m | 27,0 m | 0,39 | 4,2% | Irrigação | |
26.955 | 80 m | 150 m | 9,1 m | 0,23 | 25,7% | urbano | |
24.261 | 90 m | 150 m | 8,0 m | 0,37 | 15,4% | doméstico | |
20.978 | 102 m | 200 m | 14,3 m | 0,36 | 14,2% | doméstico | |
16.003 | 46 m | 60 m | 6,0 m | 0,11 | 11,4% | doméstico/animal | |
15.899 | 90 m | 193 m | 19,8 m | 1,00 | 4,9% | doméstico | |
12.427 | 42 m | 150 m | 9,0 m | 1,05 | 2,3% | doméstico | |
10.995 | 60 m | 120 m | 15,0 m | 0,85 | 10,0% | doméstico/animal | |
8.977 | 70 m | 144 m | 20,1 m | 0,55 | 3,4% | doméstico | |
8.184 | 110 m | 180 m | 8,4 m | 0,25 | 23,3% | doméstico | |
6.372 | 100 m | 180 m | 12,0 m | 0,19 | 4,1% | múltiplo | |
5.271 | 60 m | 86 m | 6,7 m | 0,20 | 25,1% | doméstico | |
4.443 | 90 m | 150 m | 12,2 m | 0,48 | 3,4% | doméstico | |
3.250 | 120 m | 200 m | 17,5 m | 1,06 | 11,7% | urbano | |
3.120 | 60 m | 108 m | 11,0 m | 0,61 | 3,2% | doméstico | |
2.653 | 60 m | 120 m | 12,6 m | 0,28 | 9,6% * | doméstico | |
1.333 | 40 m | 104 m | 6,0 m | 1,33 | 3,9% * | doméstico | |
1.023 | 70 m | 118 m | 4,0 m | 0,23 | 13,3% * | doméstico | |
1.016 | 102 m | 159 m | 16,2 m | 0,17 | 2,3% * | Irrigação | |
897 | 100 m | 184 m | 8,0 m | 0,35 | 10,8% * | urbano | |
718 | 74 m | 150 m | 4,4 m | 0,20 | 53,9% * | Outros (lazer,etc.) | |
716 | 30 m | 120 m | 5,0 m | 1,79 | 3,5% * | doméstico | |
272 | 40 m | 105 m | 9,9 m | 0,92 | 0,8% * | doméstico |
* Menos de 1.500 poços com situação registrada: percentual com base pequena. O nome de cada estado leva ao guia de dispensa de outorga do estado.
Quando os poços foram perfurados

O pico de poços cadastrados com data de perfuração está nos anos 2000. A queda nas décadas seguintes não significa que se perfura menos: o cadastro no SIAGAS acontece com atraso, e muitos poços particulares recentes nunca são cadastrados.
Limites dos dados
O SIAGAS reúne os poços cadastrados, em grande parte de programas públicos e de empresas. Poços particulares sem cadastro, que são muitos, não aparecem.
Nem todo poço tem todos os campos: por isso cada número informa quantos poços entraram no cálculo.
Foram considerados apenas pontos classificados como "poço tubular"; poços escavados (amazonas), ponteiras, nascentes e piezômetros ficaram de fora.
Valores extremos claramente errados foram descartados (profundidade acima de 2.500 m, vazão específica acima de 200 m³/h/m).
O que isso significa para quem vai ter um poço
Consulte os poços vizinhos no SIAGAS antes de perfurar: a mediana do estado é só uma referência; o que vale é o aquífero do seu terreno. Veja como saber se tem água no terreno.
Poço seco ou abandonado precisa ser recuperado ou tamponado. Veja recuperação de poço.
Todo poço em uso precisa de outorga ou dispensa no órgão estadual. Veja o guia de outorga de poço artesiano.

Como citar este levantamento
Os números e gráficos desta página podem ser reproduzidos por jornalistas, prefeituras, escolas e pesquisadores, desde que citem a fonte com link: "PAAS Poços Artesianos, a partir de dados do SIAGAS/Serviço Geológico do Brasil (set/2026)", com link para esta página.
Perguntas frequentes
Quantos poços artesianos existem no Brasil?
O SIAGAS tem 352.201 poços tubulares cadastrados. O número real é maior, porque muitos poços particulares não estão cadastrados.
Qual a profundidade média de um poço artesiano no Brasil?
A mediana dos poços cadastrados é de 80 metros, e 90% têm até 177 metros. Varia muito por estado, de cerca de 30 m no Acre a 134 m em São Paulo.
Qual estado tem os poços mais profundos?
São Paulo, com mediana de 134 metros, seguido de Paraná e Mato Grosso do Sul (120 m) e Santa Catarina (110 m).
Quantos poços estão secos ou abandonados?
Entre os poços com situação registrada, 11,3% estão secos, abandonados, obstruídos ou inutilizáveis.
Onde consultar os poços da minha cidade?
No site do SIAGAS, do Serviço Geológico do Brasil, com pesquisa por área ou mapa.
Fontes
SIAGAS: Sistema de Informações de Águas Subterrâneas, Serviço Geológico do Brasil (dados abertos via serviço WFS, consulta em setembro de 2026)
Sobre o autor

Chert Bobsin é geólogo formado pela UNISINOS, com registro no CREA-RS nº 204.398. É cofundador e CEO da PAAS Poços Artesianos e Água Subterrânea e criador do HIDROPAAS, o sistema de monitoramento de poços da PAAS.
Trabalha com perfuração de poços desde os 15 anos. A PAAS atua desde 1985, com geólogo responsável em cada projeto, e conduz perfuração, outorga e licenciamento de poços em todo o Brasil. Conheça a trajetória · LinkedIn.
Quer saber como são os poços na sua cidade? Fale com um geólogo da PAAS pelo WhatsApp (51) 99289-2188.




Comentários